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sexta-feira, 25 de maio de 2018

SEMINÁRIO "Pelos caminhos da adoção: do interesse dos pretendentes ao convívio com as famílias adotivas"





O curso de Psicologia está apoiando o seminário ‘Pelos caminhos da adoção: do interesse dos pretendentes ao convívio com as famílias adotivas’, que será realizado pelo Núcleo de Estudos, Pesquisas e Intervenção com Crianças, Adolescentes e Famílias- Necriad, da Universidade Federal do Espírito Santo. O evento será realizado no dia 12 de junho, às 13h, no Auditório da Católica de Vitória.

Para se inscrever, envie um e-mail com seu nome e Instituição de ensino para seminarioadocao2018@gmail.com 

Confira a programação e participe!!!


quarta-feira, 25 de abril de 2018

Adoção: Ajustes preparam sistema da Justiça capixaba para expansão.

SIGA foi escolhido como modelo para o desenvolvimento do novo Cadastro Nacional de Adoção
SIGA foi escolhido como modelo para o desenvolvimento do novo Cadastro Nacional de Adoção

O Tribunal de Justiça do Espírito Santo recebeu, esta semana, o servidor Divailton Teixeira de Machado, da Corregedoria Nacional de Justiça, do CNJ, que veio ao Estado para se reunir com técnicos da Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do TJES e com servidores da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA) e fazer os últimos ajustes para que o sistema de adoção do Poder Judiciário Capixaba possa ser utilizado pelos tribunais de todo o País.
Isso porque, no ano em que completa 10 anos de existência, o Sistema de Informação e Gerência da Adoção (SIGA), implantado pela Corregedoria Geral (CGJ), do Poder Judiciário do Espírito Santo, foi escolhido como modelo para o desenvolvimento do novo Cadastro Nacional de Adoção.
Para o Secretário de Tecnologia da Informação, Carlos Vinícius de Arimatea, a participação do servidor da Corregedoria Nacional está sendo essencial para a concretização dos trabalhos: “Este apoio está sendo fundamental, porque além da parte técnica, está facilitando o contato com outros tribunais e até mesmo com outros órgãos”.
Ainda segundo Arimatéa, uma equipe técnica formada por servidores do TJES e de outros tribunais de justiça está trabalhando em conjunto para aprimoramento do sistema: “Neste momento, temos analistas dos tribunais de justiça do Paraná, de Rondônia, da Bahia e de São Paulo, além da equipe da CEJA e da STI. Montamos uma força tarefa com apoio desses tribunais, que estão vindo ao Espírito Santo para preparar a ferramenta para ser disponibilizada em nível nacional”, destacou.
De acordo com Divailton Machado, o momento é de customização do SIGA, para que ele se transforme num sistema nacional. Segundo ele, o sistema foi avaliado por um grupo de juízes, servidores, que fizeram um trabalho de levantamento de funcionalidades desse sistema para saber se ele poderia atender aos outros estados, tendo em vista que cada Estado tem uma particularidade, uma forma de trabalhar. “Neste momento estamos finalizando a implantação dessas funcionalidades para termos uma primeira versão do sistema funcionando.”
O servidor também trouxe uma ótima notícia, de que a partir de agora os trabalhos contarão com o auxílio direto da Secretaria de Tecnologia de Informação do Conselho Nacional de Justiça. “Ainda estamos ajustando como será essa participação, mas o que já temos certo é que essa versão do SIGA vai ser a versão que nós vamos lançar como sendo a versão nacional. Enquanto durar o projeto piloto, ele ficará no TJES. Posteriormente, esse apoio do CNJ pode ser muito importante no sentido de melhorar o sistema.”
Segundo Maria Inês Valinho, coordenadora da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA), a participação de representantes da Corregedoria Nacional de Justiça é muito bem-vinda: “É importante termos o olhar do CNJ para o nosso trabalho, para dizer se estamos no caminho certo”, destacou.
No dia 27 de fevereiro deste ano, o coordenador nacional da informática do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e Desembargador do Tribunal de Justiça do Paraná (TJPR), Marcelo Gobbo Dalla Dea, esteve no TJES, acompanhado da juíza auxiliar da Corregedoria do CNJ, Dra. Sandra Silvestre, para iniciar os trabalhos de aprimoramento do sistema, que precisa passar ainda por alguns ajustes para que possa ser utilizado por outros Tribunais.
Na ocasião, o desembargador Marcelo Dea explicou que o Conselho estava procurando um sistema de cadastro de adoção e de gerenciamento de dados e o estado do Espírito Santo tinha o mais ágil e flexível do país.
O Desembargador Marcelo Dea e a juíza Sandra Silvestre devem retornar ao TJES na próxima segunda-feira, para realizar a homologação do trabalho que está sendo feita pela equipe técnica, ou seja, ver se o que já foi realizado atende aos objetivos do CNJ.
O sistema, implantado em 2008 pela Corregedoria Geral da Justiça do Espírito Santo (CGJ-ES), é um cadastro único disponibilizado a todos os Juízos e Ministério Público com competência na área da Infância e da Juventude no Estado. Contém as informações de crianças e adolescentes em acolhimento institucional, em condições ou não de inserção em família substituta, sob guarda com fins de adoção, bem como as informações sobre os pretendentes habilitados à adoção e de todas as instituições de acolhimento e famílias acolhedoras do Estado.
O SIGA/ES permite o acompanhamento efetivo da situação de cada criança ou adolescente acolhido, em guarda concedida à família extensa ou nos estágios de convivência para fins de adoção. É uma ferramenta simples e eficaz que oferece visibilidade, agilidade e transparência nos procedimentos necessários para a definição jurídica das crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade ou risco.
O projeto foi desenvolvido por servidores da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA-ES) e da Secretaria de Tecnologia da Informação (STI) do TJES. O servidor da STI Ricardo Guidoni Nascimento, que em 2012 desenvolveu a última versão, trabalhou em conjunto com a equipe da CEJA, composta por Maria Inês Valinho de Moraes, Dianne Wruck; Isabely Mota, Nathalia Fernandes, Luciana Melo e Helerson Elias Silva.

Fonte: TJES









sexta-feira, 30 de junho de 2017

Projeto: Família - um Direito de Toda Criança e Adolescente.



No dia 26/06/2017, a juíza Hélia Viegas, da Comissão Estadual Judiciária de Adoção de Pernambuco (CEJA-PE), esteve no programa "Encontro", com Fátima Bernardes, e falou sobre a Busca Ativa, realizada pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco no Projeto: Família - um Direito de Toda Criança e Adolescente. Este projeto tem como aliado as redes sociais, especialmente o Facebook, a fim de identificar adotantes para casos particularmente difíceis, como por exemplo, grupo de irmãos e portadores de necessidades especiais. 

Acompanhe o debate deste projeto aqui.

O estado do Espírito Santo, também está realizando a campanha de adoção tardia "Esperando por Você", acompanhe aqui.






terça-feira, 27 de setembro de 2016

Quando achou que nunca seria adotado, João descobriu os pais dentro da escola



Argemiro, Giselle e a peça que faltava neles: João. (Foto: Wilson Mariz de Santana)
As fotos resumem a alegria de João, ao descobrir que não era velho para ser adotado. Com 12 anos, desde os 9 a casa dele foi o abrigo Vovó Miloca, até que em agosto deste ano a secretária da escola e o professor de informática deram a ele o significado de família.

Antes mesmo da guarda definitiva sair, os três se reuniram no Parque das Nações Indígenas para dizer ao mundo que João era a peça que lhes faltava. Único filho de Giselle e Argemiro, a adoção entrou na vida do casal depois de perderem o terceiro bebê, por conta de uma doença genética do pai. 

De início, a secretária admite que teve muita resistência, mas aceitou pelo marido. "Eu era totalmente contra, queria que fosse do meu ventre, eu tinha outra mentalidade", justifica Giselle Cavalcanti de Barros Quevedo, de 40 anos.

Entre março e abril, o Tribunal de Justiça abriu o curso para adoção e eles foram aprender como era o processo para se tornarem pais. "Foi o curso que mudou meu coração. A primeira coisa que a juíza falou foi: 'você não tem que estar aqui por causa do marido'. Eu tinha aquela mentalidade de que ele viria com a genética da família, mas o curso foi o que abriu meu coração totalmente", explica Giselle.

No penúltimo dia dos dois meses de palestras quinzenais, João se apresentou ao grupo de casais que desejavam adotar. As palavras ouvidas aquele dia não saíram da cabeça da mãe. "Meu nome é João, tenho 11 anos, vou fazer 12 semana que vem e eu vim aqui porque o meu sonho é ter uma família", repete a mãe.

Foi paixão à primeira vista. "Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele. Ele veio até nós e era o destino de Deus. Ele estuda onde a gente trabalha e eu nunca tinha visto, meu marido quem reconheceu. São as coincidências", acredita Giselle.

Naquela noite ela dormiu pensando no menino e no dia seguinte, recebeu a visita dele na secretaria da escola. João bateu no vidro, disse 'oi tia' e perguntou se a intenção deles era de adotar e ter uma família. "Eu falei: não sei, talvez. Aí ele me disse: a gente podia ser uma família, não é? Eu falei para ele pedir para Deus, que se fosse da vontade dele...", conta. Ao marido, ela não só falou da conversa, como sugeriu que eles apadrinhassem João.



      À espera, casal fotografa o tênis do filho que chegou aos 12 anos. (Foto: Wilson Mariz de Santana)     João já veio com nome, que o casal escolheu amar. (Foto: Wilson Mariz de Santana)

No último dia de curso, o casal perguntou se poderiam se tornar padrinhos, mas ouviram que João tinha uma família interessada, no Rio Grande do Sul. "Quando ouvi aquilo, eu falei não, não, ele vai ser nosso e corremos atrás de toda documentação", recorda Giselle.

Todos os dias ela via o filho, mesmo que perante a Justiça, eles ainda não formassem uma família, o lanchinho para ele era levado diariamente e o coração batia forte esperando o horário de entrada de João. "Ele vinha e perguntava, e aí tia? Eu falei que tinha ido pedir para adotá-lo e aí foi indo a paixão, o amor. Até que uns dias depois ele perguntou se podia me chamar de mãe".

No dia 20 de julho, aniversário de Argemiro, o casal conseguiu autorização para levar João ao passeio e depois vieram as apresentações para a família e à avó que reconheceu de cara o menino como o neto dos seus sonhos e ao casal que fotografou o ensaio.

Até que às 2h30 da tarde do dia 10 de agosto, o telefone tocou. "Oi, você já quer vim buscar o João? Eu falei o que? Não acredito...", narra Giselle. Entre lágrimas ela foi até a juíza e depois ao abrigo pegar o filho. João estava com a mochilinha pronta para ir para a casa.

"Ele perguntava: mas é de verdade mesmo? Eu vou para dormir? A gente agora vai ser uma família feliz?" recorda o casal o diálogo lá no abrigo.

"Eu? Eu estou mais feliz, por causa que estou com uma família feliz e é bem legal estar com uma família, é o que eu sempre quis". João Vitor tem um sorriso lindo, uma alegria que contagia e um carinho na voz que dá vontade de abraçá-lo. Na entrevista, ele ainda tem receio, no período de adaptação, se percebe o medo que tem daquilo não ser para sempre.

"Você era a peça que faltava, a mamãe e o papai estão mais felizes depois que você chegou?", pergunta Giselle. De supetão, João responde "acho que sim". O casal frisa "muito mais feliz meu filho, você é a peça que faltava para a gente".

Desde o primeiro "mãe", a secretária conta que já ficou babando. Era o sonho de uma vida ser chamada assim. O pai se realizou na comemoração do segundo domingo de agosto. "Parece que aquele vazio do Dia dos Pais foi preenchido. E todo dia é uma novidade para mim e para ele. Tem dia que ele me conhece melhor, tem dia que eu o conheço melhor e a gente vai se completando", descreve Argemiro Leite de Quevedo Junior, de 42 anos.

No quarto novo, que é só dele, João fala que tem um novo nome: João Vitor Cavalcanti de Quevedo e responde, com toda alegria do mundo, sobre a descoberta de que não era velho para ter uma família. "Antes eu não achava que seria adotado. Achava que não ia conseguir, porque eu já era grande e ninguém ia me adotar. Com essa idade? Ninguém adota. O que eu senti? Felicidade no meu coração, não é? Eu fiquei muito alegre".

Sobre a adoção tardia e João não ter nascido dela, Giselle explica que o amor fez essa dúvida ficar no passado. "Adoção tardia? Por ele ser uma criança grande? Tudo o que eu vi no curso, apaga mesmo... Eu não vejo que o João não saiu de mim, não tem como, parece que ele sempre esteve aqui".

                    João não só descobriu que poderia ser adotado, como também ser muito amado pelos pais. (Foto: Wilson Mariz de Santana)

Fonte: Confira o texto na íntegra em Campo Grande News - Lado B.


segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Fui adotada aos 7 anos

           capa adocao

25.05.2016 - Quando nasci, com poucos meses de vida, fui enviada para um orfanato juntamente com uma irmã, que na época tinha quase dez anos. No orfanato, que se chamava Casa da Vó, em Rio Claro, interior de SP, morei até quase 8.

Fui adotada aos 7 anos.

Meus pais adotivos tiveram duas gestações interrompidas, e resolveram não arriscar mais. Foi então que decidiram fazer uma visita na Casa da Vó.

Logo que eles chegaram, contam que me acharam uma “gracinha”:

- Que menininho mais lindo, como se chama? – Perguntou minha mãe.

- É uma menina, tem cabelinho curto por causa de piolho. – Respondeu a inspetora do orfanato.

E assim foram acontecendo nossos encontros. Eles iam com frequência me visitar no orfanato e fomos criando intimidade.

Vivemos assim por alguns meses. Antonio, meu pai, e Laura, minha mãe, me buscavam na sexta após o colégio e me levavam de volta para o orfanato no domingo a noite.

Lembro como se fosse hoje: Quando começava a vinheta dos trapalhões (programa que passava na televisão aos domingos) era uma choradeira, eu querendo ficar e meus pais não querendo me levar.

Até que no dia 29 de maio de 1989, o juiz ligou para meu pai:

- Pronto Sr. Antonio, você já pode se considerar pai da Marcela, ela é sua!

E claro que na mesma hora, eles foram ao meu encontro.

Fui com eles para casa, mas com a consciência de que, após os trapalhões, teria que deixá-los. Eles não me contaram sobre a formalização da adoção e deixaram chegar o domingo, quando minhas lágrimas começassem a rolar, para contar a surpresa!

- Você não vai mais embora filha, você é nossa!

A emoção tomou conta de mim e nosso sonho virou realidade. Eu nasci para aquela família: com 7 anos, carinha de menino, “magrelinha” e com muito amor para dar e receber.

           adotada aos 7 anos (1)

Hoje estou com 34 anos, casada e com dois bebês, Antônio, de 3 anos e Bento, de 1. Moro no Rio de Janeiro,  meu pai continua morando em Rio Claro, e sempre que posso vou visitá-los. Minha mãezinha faleceu há 2 anos, mas com certeza ainda vive no meu coração.

Minha irmã, que citei no início, foi adotada na época em que eu ainda estava no orfanato por outra família. Depois de muito tempo vim saber que quem a adotou foi a antiga diretora do orfanato. Muitos anos se passaram, e graças a internet, nos reencontramos e, hoje, nos falamos com frequência.

Essa é a minha história de adoção, a qual sou muito grata pelo amor que recebi de meus pais.

Texto e imagens no site "MÃES AMIGAS".


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Rotina na maternidade mostra que entregar para adoção é diferente de abandonar

           Garantido por lei, abrir mão do filho também é direito da mãe que não quer ou não pode cumprir seu papel. (Foto: Fernando Antunes)

Às vezes elas pedem para não ver o bebê. Não querem dar um rosto à culpa que podem vir a carregar no futuro. Nos últimos três anos, 66 mães decidiram abandonar seus filhos ainda na maternidade. Metade delas seguiu com o processo que começou ainda na gestação: de entregar o bebê para adoção. Garantido por lei, abrir mão do filho também é direito da mãe que não quer ou não pode cumprir seu papel. 

O Lado B foi ouvir histórias de quem convive de perto com a ideia que soa tão absurda e condenável, a de abandonar um filho, mas que podem ensinar muito sobre amor e quebram o mito de que maternidade é para todas as mulheres. 

Assistente social judiciária, Rita Diniz Santos, de 55 anos, têm cinco no núcleo de adoção do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e sete meses à frente da coordenação que também abraça o projeto "Dar a luz", criado em 2011 para atender a exigência da legislação que prevê que gestantes e mães que manifestem interesse em entregar seu filho para adoção são obrigatoriamente encaminhadas à Vara da Infância e Juventude.

Na prática, Rita vê chegar gestantes que foram encaminhadas de postos de saúde, maternidade ou hospitais, ou que procuraram na internet sobre o projeto. "Quando ligam já falam: 'quero dar meu filho para adoção'", conta Rita. 

Num primeiro momento, a assistente social relata que são mulheres desesperadas e com culpa nos olhos. De perfil, são gestantes das classes baixa à mais alta e as justificativas vão desde falta de condições socioeconômicas até "projeto de vida". "Quando a criança não encaixa no projeto de vida da mãe. A gente fica meio assim, mas é uma categoria que está surgindo", explica.

Ao escolher seguir carreira no judiciário, a assistente social conta que sabia o que veria pela frente. E uma das primeiras entrevistas, ainda em Dourados, anos atrás, abriu caminho para a compreensão que hoje ela diz ter. No fundo, o que as mães procuram é uma "solução".

"Era uma profissional do sexo e eu perguntei: 'mas porque você está aqui? E ela me levou para ver o pai, com câncer terminal, por isso ela estava ali, porque ganhava mais que um salário mínimo para bancar toda medicação. Ela explicou e eu não pude falar mais nada. Foi bom, porque eu passei a entender cada uma", lembra.

Como assistente social, essas histórias ensinaram Rita a não discriminar ninguém. Nem uma mãe que entrega um filho. "Minha única angústia é quando elas falam: 'quero me ver livre disso aqui', mas foram coisas que eu fui aprendendo com cada gestante, cada ser humano. As mães também estão abandonadas e ela entregar um filho é proteger. Tanto é que o processo entra como 'medida de proteção'", explica Rita. "E a gente precisa respeitar a decisão dela", completa. No fim, o sentimento é um só: o de estar salvando vidas. "Porque a partir do momento que ela veio e nos procurou é porque ela não partiu para fazer um aborto. Isso para mim é salvar vidas".

Estagiária em Serviço Social no núcleo, Talitha Carvalho Araújo, tem 32 anos, quatro filhos e estuda para a conclusão de curso, o projeto. "Não é um crime, elas estão sendo culpadas é pela cultura que a gente tem de que a mulher engravidou e tem de ser mãe e não é bem assim. A Psicologia explica que tem mulher que não tem a maternagem", compara. 

No dia a dia, a estudante diz que a primeira coisa a ser rompida foi o julgamento e ter em mente, bem claro, que o papel dela é de garantir os direitos das pessoas. "E é um direito da criança estar em um ambiente familiar dentro de todas as garantias de educação, família, escola, o que essa mulher não vai poder proporcionar", argumenta. 

Mais que ser realista em admitir o que não pode dar, Talitha vê essas gestantes praticando um gesto de amor. "É amor, também da parte dela, em entregar para alguém o que ela não quer ou às vezes não pode fazer. E o que a gente aprende é que tem que ter uma força muito grande para isso", resume. 

Do outro lado da ponta, está quem faz este atendimento quando a mulher entra para banhar bebê. Jackeline Medeiros Pereira tem 34 anos, é psicóloga na Maternidade Cândido Mariano, e entende que entregar para adoção é bem diferente de abandonar. "É uma decisão difícil, mas a gente sabe que é consciente. Quando a mãe decide entregar, ela está dando a essa criança a chance de ter aquilo que ela não pode prover". 

É com ela que o contato chega ao "clímax", quando a mulher ouve o choro do bebê e ainda assim, quer distância. "A maioria prefere não olhar, porque basta olhar para começar um vínculo e as que escolhem ver, é como se fosse uma despedida, porque depois não veem mais", explica. 

A maioria dos casos que ela atende são de mães que não podem prover materialmente ou emocionalmente. Quando a mãe não pode, se entende, quando ela não quer, se respeita. "A gente entende e respeita a decisão delas", diz Jackeline. Mas a aceitação é um processo e bem complicado.

"Me lembro da primeira mãe que eu atendi - trabalhar no projeto foi um amadurecimento - essa coisa de que mãe não pode abandonar bebê está entranhado em qualquer pessoa", pontua a psicóloga. 

A jovem tinha 25 anos e uma filha de 4. "Quando eu fui conversar, perguntei o que ela sentia pelo bebê e ela disse: 'eu não sinto nada', Nossa, na época a minha filha tinha 1 ano e pouquinho e aquilo foi uma facada. É difícil compreender as razões da mãe, porque quando você gera, imagina uma história de vida dessa criança dentro da sua vida e de repente você se depara com uma mãe que não quer essa criança na vida dela?" se pergunta. 

Foi aí que ela aprendeu, na prática, que o amor incondicional de uma mãe é um mito e que não vale para todas as mulheres. "Cada mãe que veio chegando, eu fui conhecendo as histórias e entendendo o processo. Todo mundo tem seu lado religioso, espiritual e eu tenho certeza de que Deus prepara essas mães para gerar um filho para outras mães. Não tem outra explicação", acredita. 

              Jackeline num momento de afeto. Psicóloga da maternidade, ela sempre dá colo aos pequenos que vão para adoção. (Foto: Fernando Antunes)

Um ano atrás, uma mãe deu a luz e não quis ver o rosto do bebê. A criança chorava tanto e depois de horas, ela decidiu pegá-lo no colo. "Ela pôs ele de frente assim e conversou. Foi uma coisa que fica na cabeça da gente, porque foi como se ela dissesse que estava fazendo aquilo porque era o melhor que poderia dar naquele momento e que era por amor. Ele não chorou mais. Ali foi como se fosse o consentimento dessa separação", se emociona Jackeline. 

A mãe que deixa o filho para trás vivencia o luto por alguém que continua vivo, mas não com ela. As crianças que são entregues para adoção assim, têm direito de ir atrás da mãe quando completar 18 anos. Antes disso, o processo é segredo de justiça. 

"E vou te dizer, que muitas dessas mães estão vivendo à espera desse reencontro. Têm crianças hoje com 4, 5 anos, então faltam aí 13, mas é uma incerteza. O que eu sinto é que algumas mulheres são muito fortes a ponto de abrir mão de algo importante que é seu filho e por amor e eu tenho um respeito enorme pelas que decidem fazer isso". 

Reportagem encontrada no site Campo Grande News - Lado B.

Casal gay faz adoção tardia de irmãos e alfabetiza criança de 9 anos em 2 meses

             Alejandro e Victor Hugo em primeiro plano, e os pais no reflexo do espelho

Os garotos viviam no Lar da Criança, em Cuiabá, até o casal aparecer com a casa e o coração abertos para a adoção. Casados há quase oito anos, Paulo e Admilson decidiram que queriam adotar filhos para que a família ficasse completa. 

Nova vida

A vida em família começou com uma festa de chegada, em 14 de agosto de 2015. Depois disso, a rotina se tornou ‘normal’ como a de qualquer ‘família tradicional brasileira’, com a diferença única de que as crianças precisavam se adaptar. Victor Hugo, por exemplo, já estava no terceiro ano da escola quando foi adotado, mas ainda era analfabeto. 

“Nós fizemos uma força tarefa, conversamos com os professores, ficamos em cima, colocamos em aula particular. Em dois meses ele estava lendo. Acho legal frisar isso porque muita gente pergunta, o que um casal gay vai ensinar para uma criança? Isso: vai ensinar o que eles não aprenderam em três anos”, desabafou Paulo. Segundo os pais, o amor, carinho e principalmente a preocupação que uma família oferece às crianças influencia no aprendizado. “Quando eles vivem no abrigo, até os professores da escola pensam ‘ah, é criança do abrigo, não vai virar ninguém mesmo’, e não dão atenção”, afirmou. 

“O Alejandro deu uma entrevista uma vez dizendo que tinha medo de viver na rua. É isso que oferecemos para eles: segurança. Um lugar onde eles possam crescer bem, felizes e seguros”, afirmou Admilson. Por incrível que pareça, nem mesmo as possíveis adversidades que os pais acreditavam que viriam dos colegas de escola aconteceram. “O Victor tinha outros dois colegas, um tinha dois pais e o outro tinha duas mães. Eles nunca sofreram preconceito por isso”.

“Eu mesmo disse pra minha professora que meu pai era gay, e pedi pra ela falar pra sala. Depois, ninguém fez piada nem nada. Eles só ficaram fazendo um monte de perguntas”, explicou o garoto. 

Olhar o sorriso no rosto dos meninos já seria o suficiente para entender que a situação é favorável. Alejandro, hoje, sonha em ser médico. Victor prefere o caminho do sertanejo ou, quem sabe, ser jogador de futebol. Os devaneios infantis podem, por fim, ter uma ponta de realidade. Para quem estava fadado a virar estatística, um bolo de fubá e uma xícara de café à mesa, no meio da tarde e no seio da família, já é um grande evento. 

           

Confira toda a entrevista em Olhar Direto/Conceito.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Desinformação impede que homens solteiros adotem crianças, dizem juízes

               Célio Wanderson de Araújo, pai adotivo solteiro dos irmãos Carlos e Anderson

Célio Wanderson de Araújo é assistente social no Distrito Federal (DF), solteiro, e desde 2013 é pai de dois irmãos: um menino de 9 e outro de 11 anos. Peterson Rodrigues dos Santos, vendedor em Porto Alegre (RS), solteiro, se tornou pai de um menino de 9 anos em 2015. José Ubiratan Vieira Cavalcanti, técnico em enfermagem em Recife (PE) se tornou pai de um menino de sete anos com paralisia cerebral em 2009. Esses são apenas alguns dos casos de adoção bem-sucedida feita por “pais solteiros” em todo o país. Todos foram unânimes em afirmar que o amor incondicional foi o que os motivou a encarar o desafio de criar uma criança adotiva sozinhos.

Atualmente, dos mais de 37 mil pretendentes inscritos no Cadastro Nacional de Adoção, gerido pela Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 5.019 são pessoas solteiras. Em média, elas representam cerca de 15% do total de crianças adotadas em todo o país. Não existem dados específicos sobre adoção de crianças por homens solteiros. No entanto, magistrados da Vara da Infância consultados pelo CNJ confirmam que o número ainda é muito pequeno e aquém do que poderia ser.

“Culturalmente o homem ainda não se descobriu como capaz de formar uma família sem a necessidade de uma mulher”, afirmou o juiz Élio Braz, titular da 2ª Vara da Infância e Juventude de Recife. “Eles tendem a achar que não ‘levam jeito’. Só que para adotar uma criança não precisa ter ‘jeito’, mas ter amor”, completou.

Confira as informações na íntegra no site do CNJ.

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Restrições feitas por famílias dificultam adoção

Segundo MP, maioria prefere criança recém-nascida, branca e saudável.
Atualmente, são 500 crianças precisando de lar para 3 mil candidatos.

Generosidade

Gustavo aguardou 15 anos para ter uma família, pois estava na fila de adoção com dois irmãos. “Eu pedi para falar com a juíza e abri mão de nós três irmos juntos, para facilitar a adoção deles e para que eles não sofressem o que sofri lá dentro”, contou.

Os dois irmãos menores encontraram um lar, mas Gustavo, acabou ficando para trás, até que a família de um dos irmãos descobriu o que ele havia feito.

Família Santos adotou dois irmãos (Foto: Reprodução RBS TV)

“Quando soubemos da história, que o Gustavo abriu mão da adoção dele pelos dois irmãos, não não havia como perdê-lo”, disse Reginaldo dos Santos, pai dos meninos.

“O meu grande sonho era ser chamado de pai e foi a grande alegria da minha vida, o dia em que o Guilherme e o Gustavo me chamaram assim”, emociona-se.

Em Santa Catarina, atualmente, são 539 crianças e adolescentes na fila de espera, de acordo com o MP. Enquanto isso, 3,2 mil candidatos querem adotar um filho, o que chega a quase seis famílias para cada criança.

Restrições das famílias

Conforme o MP, menos de 40% dos candidatos aceitam crianças negras e menos de 1% está disposto a adotar um filho com algum tipo de deficiência mental.

“Isso é um problema seríssimo, porque muitas crianças ou adolescentes acabam ficando em instituições até os 18 anos de idade”, disse o promotor Marcelo Wegner.

Amor à primeira vista

Maria de Lourdes Apolinário estava planejando adotar uma criança, até que conheceu Josué. Portador de Síndrome e Down, ele morou a vida toda em uma casa-abrigo. Quando Josué e Lourdinha se conheceram em um jantar beneficente, ela não teve dúvidas.

Josué foi adotado por Maria de Lourdes (Foto: Reprodução RBS TV)

“Era um desejo assim como outras mães também têm desejo de ter mais filhos. Acho que isso é independente de qualquer idade”, relatou.

“A gente fala que a gente quer encontrar famílias para as crianças, e não crianças para as famílias. Que essas crianças tenham um lar, que essas famílias também tenham seus filhos e todos  possam ser felizes juntos”, espera a psicóloga da Vara da Infância Helena Eidt.

Josué tem dificuldades para falar, mas uma palavra ele aprendeu logo de cara: “A mãe!”, exclama o menino.

Confira a entrevista na íntegra no site do G1.

terça-feira, 31 de maio de 2016

TJES recebe estande sobre adoção

Em comemoração ao Dia Nacional da Adoção um estande foi instalado, no andar térreo do Palácio da Justiça, para orientar visitantes sobre o processo de adoção. Confira a reportagem!



segunda-feira, 30 de maio de 2016

Dia Nacional da Adoção: TJES faz ações em comemoração

                    estande-ceja-400

Em comemoração ao Dia Nacional da Adoção, a Comissão Judiciária de Adoção (Ceja), com intuito de conscientizar a respeito do tema, além de incentivar a busca por informações esteve com um estande montado no hall de entrada do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES). Foi feita a distribuição de material informativo a respeito de temas como: os principais passos para adoção, adoção tardia e constituição familiar.

Além da entrega de folders e cartilhas, a Comissão também preparou um vídeo com depoimentos sobre adoções tardias, onde os pais relatam suas experiências.

A equipe coordenada pela coordenadora da Ceja, Maria Inês Moraes, ficará à disposição durante os dois dias da ação, tirando dúvidas sobre adoção e, principalmente, sobre adoção tardia, um dos principais focos da abordagem.

De acordo com informações da Ceja, hoje, no Espírito Santo, 139 crianças, de 0 a 17 anos, estão disponíveis para adoção, mas que, por conta da falta de informação e do preconceito, elas não conseguem um lar. Por isso, qualquer ação que vise conscientizar e esclarecer dúvidas a respeito do assunto, segundo a Comissão, é um grande passo para garantir que essas crianças tenham a oportunidade de ter uma família.

Segundo a Comissão, desse total de crianças disponíveis, 49% fazem parte de grupo de irmãos e 23% possuem alguma condição especial de saúde, 86% dos menores têm mais de oito anos de idade, enquanto 92% dos pretendentes habilitados à adoção, manifestam o desejo de adotar crianças de uma faixa etária menor.

Para a juíza da 3ª Vara de Família da Serra, Maria Ignez Bermudes, as ações de conscientização sobre a adoção são importantes para que as pessoas percam o medo de adotar crianças com idades mais avançadas, uma vez que, de acordo com a magistrada, existe um temor pelas experiências que a criança pode trazer de suas vivências anteriores.

Ainda segundo a juíza, as informações adquiridas junto à Ceja garantem maior segurança a quem tem interesse de adotar, além de permitir que a criança não vá para um lar que não possui estrutura para recebê-la.

Vitória, 24 maio de 2016.

Informações à Imprensa

Assessoria de Imprensa e Comunicação Social do TJES
Texto: Tiago Alencar -  tiaoliveira@tjes.jus.br
Andréa Resende
Assessora de Comunicação do TJES

imprensa@tjes.jus.br
www.tjes.jus.br

Judiciário comemora Dia da Adoção com ações de incentivo

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O Dia Nacional da Adoção (25 de maio) foi comemorado em todo o Poder Judiciário. Para a juíza coordenadora das Varas da Infância e da Juventude no Estado, Janete Pantaleão Alves, o objetivo principal das mobilizações é garantir que as 140 crianças disponíveis para serem adotadas no Espírito Santo tenham a oportunidade de ter uma família.

Durante a terça e quarta-feira (24 e 25), a Comissão Judiciária de Adoção (Ceja) esteve com um estande montado no hall de entrada do Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES), onde foram prestadas orientações acerca do tema, além da distribuição de material informativo, composto por folders e cartilhas. A equipe da Ceja atendeu cerca de 250 pessoas durante os dois dias da ação.

Desejando que as crianças encontrem famílias que as acolham e as enxerguem como um filho que já existe, a juíza destacou que, por conta da falta de informação e pelo temor que as famílias têm em adotar uma criança que já traz consigo outras vivências, o incentivo à adoção acaba sendo um desafio, uma vez que 87% das crianças disponíveis estão acima de seis anos de idade.

O ponto que, ainda de acordo com a juíza, mostra que a Comissão Judiciária de Adoção (Ceja) tem muito trabalho pela frente no que diz respeito à conscientização sobre adoção, principalmente adoção tardia, é a discrepância entre a quantidade de famílias que tem interesse em adotar e o número de crianças disponíveis para adoção. São 877 famílias na fila para adoção e 139 crianças que guardam a esperança de serem adotadas.

O dado mostra a dificuldade que as Varas da Infância e da Juventude têm em encaixar essas crianças em um possível lar, uma vez que, em sua maioria, estão acima da idade considerada ideal para quem procura adotar um filho.

O maior interesse da Comissão é dar visibilidade a essas crianças, mostrar que elas podem ser integradas normalmente no convívio familiar, podendo enriquecer a convivência com seus futuros pais a partir das experiências que trazem consigo. A idade da criança, neste caso, seria um mero detalhe.

O principal equívoco cometido por parte de quem pretende adotar uma criança está no fato dos futuros pais acreditarem que, para ser visto como filho, a criança precisa integrar família ainda um bebê, sem ter vivido muitas fases de sua primeira infância.

O medo de não possuir estruturas para adotar uma criança pode ser deixado de lado quando se tem em vista dois projetos criados a partir do Ato Normativo Conjunto nº 13/2015 do TJES, onde ficaram instituídos os programas Apadrinhamento Afetivo e Apadrinhamento Provedor.

No apadrinhamento afetivo, o padrinho visita regularmente a criança ou o adolescente, buscando-o para passar finais de semana, feriados ou férias escolares em sua companhia, proporcionando-lhe a promoção social e afetiva, revelando possibilidades de convivência familiar e social saudáveis que gerem experiências gratificantes.

Já o padrinho provedor visa dar suporte material ou financeiro à criança ou ao adolescente. Este suporte pode ocorrer por meio da doação de materiais escolares, vestuário, brinquedos, patrocínio de cursos profissionalizantes, reforço escolar, prática esportiva, idiomas ou contribuição financeira para alguma demanda específica da criança ou adolescente.

Vitória, 25 maio de 2016.


Informações à Imprensa

Assessoria de Imprensa e Comunicação Social do TJES
Texto: Tiago Alencar - tiaoliveira@tjes.jus.br

Andréa Resende
Assessora de Comunicação do TJES

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Aumenta a adoção de crianças especiais e com mais de 3 anos

No dia 28 de maio de 2016, o portal de notícias da Globo publicou a seguinte matéria editada do Jornal Nacional:

Nesta semana, o Brasil comemorou o Dia Nacional da Adoção. E os dados mais recentes do Cadastro Nacional de Adoção mostram avanços importantíssimos.

A chegada da Silvana na vida de Neiva e Carlos foi uma escolha. O casal poderia ter filhos biológicos, poderia adotar outra criança. Mas desejou uma filha especial, com hidrocefalia, uma doença genética que provoca acúmulo de líquido no cérebro.

“Quando eu peguei ela no colo, ela deu uma gargalhada, e eu sempre digo isso: aquele dia foi meu parto. Aquele dia eu entendi que eu era mãe”, disse Neiva Marins, agente comunitária de saúde.

Quando saiu do abrigo, há quatro anos, a Silvana não andava nem falava. “Todas as crianças têm que ter o pai e a mãe”, diz a menina.

“Então, ver isso, pra mim não tem preço. Valeu a pena cada minutinho e cada esforço”, conclui Neiva.

A adoção de crianças com algum problema de saúde dobrou nos últimos cinco anos. E cresceu muito também, até 600%, o número de crianças adotadas com mais de 3 anos de idade.

A mudança está ajudando a resolver uma conta que ainda não fecha. Mais de 6 mil crianças e adolescentes estão disponíveis no Cadastro Nacional de Adoção, e há 35 mil pretendentes cadastrados. A maioria deseja crianças com menos de 3 anos, que nem chegam a 10% do total.  

Enquanto isso, as crianças com mais de 3 anos e os adolescentes correspondem a mais de 90% do total. Mas os candidatos que aceitam adotá-los são minoria. 

“É preciso que as pessoas que querem adotar olhem essas crianças e adolescentes que estão nessa situação da chamada adoção tardia, que conheçam, que tenham contato. Que há crianças maravilhosas, adolescentes maravilhosos. Todos eles precisando de amor”, disse o juiz Sérgio Luiz de Souza.

Na semana da adoção, num fórum do Rio, somente num dia 45 pais e mães conseguiram chegar à última etapa do processo de adoção. E não foram só bebês que saíram com uma nova família.

“É o dia mais feliz da minha vida. Dia mais feliz poder, consegui, né? Adotar elas quatro”, conta a costureira Margareth de Araújo, que adotou Ana, de 12 anos, e as três irmãs dela.

JN: Você ficava preocupada com as suas irmãs?
Ana Beatriz: Ficava, porque eu pensava que elas iam pra adoção e eu nunca mais conhecesse elas. Estou muito feliz. 

Depois da assinatura, tem a nova certidão de nascimento, com novo nome: Stéfani da Silva Rocha.

E, além da Stéfani, o casal Darcilene e Fábio adotou os irmãos dela, o Rafael e a Laiza, que é cadeirante.

“Me chamam de maluca, mas é o amor mesmo,” diz a comerciante Darcilene Rocha.

“Sem coragem ninguém poderia fazer isso pela gente. Ela e o meu pai agora conseguiram fazer isso pela gente”, diz Stéfani.

“É isso que vai ser a minha maior recompensa. Ver cada um deles chegar aonde imagino que eles vão chegar. E juntos”, afirma o vigilante Fábio Rocha.

Confirma mais no site do G1 - Jornal Nacional. 

segunda-feira, 16 de maio de 2016

Quase metade dos pretendentes aceita adotar crianças negras

Adoção (Foto: Caio Kenji/G1)
Corregedora atribui mudança às Varas da Infância e aos grupos de apoio (Foto: Caio Kenji/G1)
Quase metade dos pretendentes à adoção no país hoje aceita adotar crianças negras; 75% também não fazem restrições às pardas. Os dados da Corregedoria Nacional de Justiça obtidos pelo G1 mostram uma mudança importante no perfil. Em 2010, menos de um terço dos pais à busca de uma criança no Cadastro Nacional de Adoção deixava aberta a possibilidade de uma adoção de meninas e meninos negros; no caso das crianças pardas, o índice não chegava a 60%.

A corregedora nacional de Justiça, ministra Nancy Andrighi, credita a mudança ao trabalho feito nas Varas da Infância e da Juventude e nos grupos de apoio à adoção. "Os cursos de preparação para adoção realizados pelas equipes multidisciplinares das Varas conseguem mostrar aos pretendentes a realidade das crianças que estão aptas a serem adotadas, fazendo com que abdiquem de idealizações pré-concebidas, notadamente as crianças brancas e com menos de três anos", afirma.

Segundo ela, o trabalho de esclarecimento e divulgação feito pelos grupos de apoio à adoção também é determinante.

Novo Perfil Adoção (Foto: Editoria de Arte/G1)
Apesar da indiferença à cor da pele por parte dos pretendentes ter aumentado, o número de adoções de crianças brancas ainda é muito maior proporcionalmente. Atualmente, 65% das crianças nos abrigos são negras ou pardas. Em 2016, no entanto, do total de 252 adoções concretizadas, 119 – ou seja, menos da metade – envolveram crianças negras e pardas.

E esse índice não muda muito ao longo dos anos. Em 2015, das 1.418 adoções feitas por meio do Cadastro Nacional de Adoção, 724 (isto é, 51%) envolveram crianças negras ou pardas.

 O Cadastro Nacional de Adoção abriga atualmente 35.573 pretendentes – 8 mil a mais que em 2010. Na outra ponta, estão 6.572 crianças e adolescentes (quase 3 mil a mais em relação a 2010).

Para a ministra Nancy Andrighi, o descompasso entre o número de crianças negras e pardas acolhidas e o número de adotadas não difere muito do que acontece no total geral.

"Ainda existem muitos entraves legais e burocráticos em um processo de definição jurídica para uma criança ser considerada disponível para adoção. A lei estabelece que os vínculos biológicos devem ser prestigiados e os pais biológicos, ou a família extensa, devem ser consultados e preparados. Nesse período, a criança permanece acolhida e o Ministério Público fica na dúvida em propor a ação de destituição do poder familiar", afirma.

A corregedora nacional diz que ainda existe no Brasil "uma mentalidade de favorecer a família biológica em detrimento do direito da criança em ter uma família real".

Confira a reportagem completa no site do G1- Bem Estar.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Após adoção, mãe se inspira na filha para ajudar crianças em abrigos no Piauí

Para Francimélia, Ana Karla logo virou a princesinha da casa (Foto: Fernando Brito/G1)
Única menina entre os três irmãos, Ana Karla logo virou a princesinha da casa (Foto: Fernando Brito/G1)


A história de amor entre mãe e filha fez nascer um projeto social que existe há oito anos em Teresina e tem dado assistência à 57 crianças que não têm o convívio familiar. Francimélia Nogueira, 55 anos, fundou o Centro de Reintegração Familiar e Incentivo à Adoção (Cria), seis anos após adotar Ana Karla, que na época tinha apenas 1 anos e 10 meses. Hoje, a instituição ajuda crianças e adolescentes que vivem em abrigos a encontrarem uma família e um lar.

Francimélia decidiu entrar com processo de adoção quando pegou Karla no abrigo para passar o Natal na sua casa com o ex-marido e os três filhos. A assistente social revela que foi nesse momento, com um bebê entre a família, que o sentimento de ter um novo filho despertou. Única filha mulher, logo logo Ana Karla virou a princesa da casa.

"Foi ela a criança destinada a ir para a nossa família. Nós nos apaixonamos pela Ana Karla logo de cara. Ela estava tão carente de cuidados, de afeto e atenção. Foi então que decidi que ela não sairia mais das nossas vidas e não voltaria mais para o abrigo", lembrou. Logo depois, Francimélia entrou na Justiça para conseguir adotar Ana Karla.

Poderia ser só mais um caso de adoção, mas foi o acolhimento solidário de Ana Karla que fez Francimélia tomar a decisão que mudaria a vida dela e a da criança: formalizar o vínculo afetivo com a adoção.

"Já tinha três filhos adolescentes e foi uma alegria tê-la também como filha. Ela chegou e logo se transformou na princesinha da casa", contou.

Anos se passaram, e foi daquele momento especial na vida da assistente social e desse gesto carregado de amor, que Francimélia tirou a inspiração para ajudar outras crianças que vivem na mesma situação que Ana Karla vivia.

Seis anos após a adoção, Francimélia conseguiu colocar a ONG em funcionamento e assim passar a servir crianças sem o amparo familiar. "Me sinto mãe de todos esses que corro atrás para que essas crianças e adolescentes que estão nos abrigos esperando uma família tenha o afeto", disse.

Com três filhos, Francimélia viu o sentimento de ser mãe ser despertado novamente (Foto: Fernando Brito/G1)
Francimélia viu o sentimento de ser mãe ser despertado novamente (Foto: Fernando Brito/G1)
Inspiração para a criação do Cria, Ana Karla Nogueira Medeiros, 15 anos, conta que é feliz tendo uma mãe, uma família e vários irmãos.

"Dá um orgulho muito grande saber que eu fui a inspiração para que esse projeto existisse. E isso é uma alegria muito grande, porque a partir do momento que eu sei que crianças estão saindo de abrigos e conseguindo um lar, assim como foi comigo um dia, porque as pessoas que mais precisam vão estar num lugar tendo aquele amor que precisam", disse.(Ouça homenagem da filha ao lado).

O Cria

O Cria é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, que foi fundada no ano de 2009 e tem como objetivo dar assistência a crianças e adolescentes que são acolhidos por abrigos. A ideia é desenvolver ações que busquem a garantia da convivência familiar e comunitária a essas crianças, seja com famílias acolhedoras ou em casas de acolhimento.

O projeto além de conseguir um novo lar e uma nova família para essas crianças, busca também dar o retorno à família de origem. Desde o ano de 2009, 57 crianças já foram beneficiadas com o projeto que conta com assistentes sociais, psicólogos, pedagogos, e outros profissionais liberais.

"Esse projeto significa uma realização profissional e pessoal. Vivo feliz em trabalhar com algo tão gratificante. A cada criança, e a cada adolescente que a gente resolve a situação, é uma felicidade imensa", pontua Francimélia.

Francimélia Nogueira adotou Ana Karla quando ela tinha 1 ano e 10 meses (Foto: Fernando Brito/G1)
Francimélia Nogueira adotou Ana Karla quando ela tinha 1 ano e 10 meses (Foto: Fernando Brito/G1)

Fonte:  A matéria está no site do G1 do Piauí.


quarta-feira, 20 de abril de 2016

Menores acolhidos em SP produzem vídeo para divulgar a adoção tardia

Essa modalidade de adoção envolve adolescentes e crianças que tenham idade superior a seis ou sete anos. Pesquisas realizadas dão conta de que o perfil mais procurado pelos pretendentes é o de meninas brancas recém-nascidas — com até seis meses de vida. Em razão da preferência, a fila para adoção de criança com essas características pode chegar a 10 anos. Já para aqueles que não impõem restrições quanto à idade ou sexo, não há fila de espera.


Brasília, 29/04/2015Projeto leitura da Vara da Infância e Juventude. Foto: Gil Ferreira/Agência CNJQuando se fala em adoção, não é incomum imaginar bebês e crianças pequenas à espera da chance de ter uma nova família. Isso, de fato, ocorre. Mas há também crianças e adolescentes com mais idade que têm o mesmo sonho e, por serem maiores, nem sempre conseguem realizá-lo. Para despertar o interesse pelo tema, adolescentes acolhidos na Vara da Infância e da Juventude, Protetiva e Cível da Comarca de Guarulhos produziram vídeo para divulgar a adoção tardia.

Para o juiz Iberê de Castro Dias, da Vara da Infância e da Juventude, Protetiva e Cível da Comarca de Guarulhos, o vídeo não tem pretensão de convencer a adotar, mas conscientizar sobre a existência de menores nessa situação. “O vídeo busca despertar, em quem já tenha o desejo de ser pai ou mãe, a possibilidade de adotar adolescentes e crianças com mais idade. A tarefa de adoção tardia não é simples, mas é extremamente recompensadora”, ressaltou.

Para adotar, o interessado — maior de 18 anos, solteiro ou casado — deve procurar a Vara da Infância e da Juventude mais próxima para se habilitar. Atualmente, há mais de 5 mil crianças e adolescentes aguardando adoção em todo o Brasil.

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Adoção Tardia


No dia 2 de dezembro de 2014, o Canal Adoção Tardia no youtube publicou um vídeo onde três famílias contam as motivações, expectativas e desafios na formação de vínculos afetivos com seus filhos. Vale a pena relembrar!

Fonte:
Este e muitos outros vídeos estão no Canal Adoção Tardia.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Adoção de crianças mais velhas cresce no país, mas bebês ainda são preferidos

         Adoção de crianças mais velhas cresce no país, mas bebês ainda são preferidos Jefferson Botega/Agencia RBS

Na frieza dos números, há oito famílias disponíveis para cada criança apta à adoção no país. A equação, na prática, não fecha. Nos abrigos brasileiros, meninos e meninas com idade superior a 3 anos são maioria e, ao mesmo tempo, os menos desejados pelos aspirantes a pais. Ano a ano, os pretendentes têm, timidamente, aberto o leque de preferências etárias, mas a idealização de um filho recém-nascido ainda faz permanecer o descompasso.

Um trauma que a criança mais velha pode carregar – abandono, negligência e até maus-tratos – é uma das principais razões pelas quais as famílias inscritas no Cadastro Nacional de Adoção (CNA) prefiram bebês.

– A criança maior já consegue relatar experiências. E mesmo que ela possa misturar fantasia e realidade, é difícil para os pais lidarem com o registro de memória – diz a psicóloga Sanmya Salomão, coordenadora do programa de adoção tardia da ONG Aconchego, em Brasília.

As estatísticas do CNA – administrado pela Corregedoria Nacional de Justiça, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) – mostram que mais de 57% dos pretendentes exigem que seus filhos tenham até 3 anos. A partir daí, o porcentual diminui à medida que a idade aumenta, a ponto de só 5% se interessarem por crianças acima de 8 anos.

Aos poucos, campanhas de conscientização e de preparação para adultos habilitados a adotar têm mudado essa realidade. Em 2015, foram efetivadas 711 adoções tardias – a partir de 3 anos, conforme classificação do Judiciário –, 79 a mais do que em 2014 e 150 a mais em relação a 2013.

– Achávamos que poderia ser preconceito, mas, na verdade, a questão é a falta de conhecimento emocional – aponta o juiz Elio Braz Mendes, titular da Vara de Infância e Juventude do Recife.

O problema não é que os adultos prefiram um filho que se encaixe perfeitamente em seus sonhos – a idealização é normal, segundo Mendes.

– Só que esse desejo precisa ser amadurecido e vir ao encontro da realidade. Não fabricamos crianças – afirma.

Os abrigados em instituições de acolhimento são, na maioria, meninos pardos de 8 a 17 anos que têm irmãos. Os pretendentes não fazem tanta distinção quanto a sexo ou raça, mas requerem crianças mais novas e, em mais de 70% dos casos, não aceitam adotar irmãos.

Uma das iniciativas da Comarca do Recife foi implementar a campanha "Adote um pequeno torcedor", apoiado pelo Sport. Crianças com mais de 7 anos que torcem para o clube ganham visibilidade em vídeos transmitidos no estádio e na internet. O objetivo, diz Mendes, é mostrar para a sociedade quem elas são. 

– Senão ficam na sombra, escondidas nos abrigos como se fossem prisioneiras, o que não são – explica. Em seis meses, cinco foram adotadas.

Perfil

No Cadastro Nacional de Crianças Acolhidas (CNCA), 88% delas nas 3.973 instituições de acolhimento do país se enquadrariam no conceito de adoção tardia. Mais de 90% não estão aptas a entrar no CNA em função de pendências judiciais – algumas ainda não foram destituídas do poder familiar biológico, por exemplo.

– Quanto mais tempo a criança permanece em um abrigo, mais complicada pode ser a vinculação a um novo modelo parental. E os pretendentes se perguntam: vou conseguir lidar com isso? – questiona a professora da Universidade Tiradentes (Unit) Marlizete Maldonado Vargas, autora do livro Adoção Tardia: Da Família Sonhada à Família Possível.

A verdade, segundo ela, é que a adoção de crianças maiores não está mais associada a uma espécie de segunda opção, mas a um interesse genuíno em trocas profundas de afeto.

– É uma relação que se constrói de uma forma espontânea e bonita – indica Marlizete.

O adulto que queira se habilitar à adoção é obrigado a passar por preparação psicossocial e jurídica. 

– Muitos argumentam que a jornada seria mais fácil, portanto, com um bebê, que seria mais "moldável" – diz a psicóloga Niva Campos, supervisora da Seção de Colocação em Família Substituta da Vara da Infância e Juventude de Brasília, onde 98% das famílias só aceitam crianças de até 3 anos. Isso é mito. 

– O bebê é uma "caixinha" muito mais misteriosa – conclui Niva.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

Estrangeiros adotam crianças 'rejeitadas' por pais brasileiros

A página do Jornal Folha de São Paulo no site de notícias UOL, publicou no dia 03/04/2016 reportagem sobre o perfil que os pretendentes brasileiros a adoção mais rejeitam, sobre a habilitação de estrangeiros e adoção internacional, segundo dados da ACAF (Autoridade Central Administrativa Federal) e do CNJ (Conselho Nacional de Justiça).


Confira aqui a reportagem!