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sexta-feira, 25 de maio de 2018

25 de maio - Dia Nacional da Adoção!




Imagem relacionada

"Todos os filhos são BIOLÓGICOS e todos os filhos são ADOTIVOS. 
BIOLÓGICOS porque essa é a única maneira de existirmos concreta e objetivamente e ADOTIVOS porque é a única forma de sermos verdadeiramente filhos".

Luís Schettini Filho.

Três Vivas para a Adoção!!!








O E-book do “Três Vivas para a Adoção” é gratuito.
“Três Vivas para a Adoção” é uma realização do MAIS – Movimento de Ação e Inovação Social (Movimento Down e Movimento Zika), com apoio da Angaad – Associação Nacional de Grupos de Apoio à Adoção, Aconchego – Grupo de Apoio à Convivência Familiar e Comunitária, Fundação Ford, ABRAMINJ – Associação Brasileira dos Magistrados da Infância e da Juventude e do Fonajup – Fórum Nacional de Justiça Protetiva,
Autoras – Patricia Almeida e Fabiana Gadelha
Contato: patricia.smalmeida@gmail.com
Baixe gratuitamente em PDF:

O Cadastro Nacional de Adoção mostra uma realidade que precisa ser mudada. De um lado, mais de 40 mil pais pretendentes a adotar. Do outro, menos de 9 mil filhos possíveis em busca de uma família. 

Isso se dá porque a maioria das pessoas indica um perfil muito restrito, deixando de fora as crianças reais que estão cadastradas para adoção – maiores de 5 anos, pardas ou negras, com deficiência, doença crônica ou grupos de irmãos. 

Só que estas, na verdade, são as crianças que mais precisam de uma família carinhosa e cuidadosa.

Várias varas da infância e da juventude têm tomado medidas para motivar a adoção de crianças fora do perfil, as chamadas adoções necessárias. Os trâmites são mais rápidos, voluntários e ONGs são convocados a auxiliar na Busca Ativa de famílias para estas crianças e adolescentes.

Nosso objetivo com a publicação “Três Vivas para a Adoção” é propor uma reflexão àqueles que têm o desejo de adotar, para promover cada vez mais encontros entre pais e filhos, entre pretendentes a pai e/ou mãe que têm um lar e futuros filhos e filhas à espera de uma família. 

Além do passo a passo para a adoção, explicações sobre a Busca Ativa e informações sobre os diversos tipos de adoção, também há depoimentos de famílias que se formaram fora do perfil majoritário, de uma coordenadora de instituição de acolhimento, de um juiz e de uma pessoa que foi adotada.



Fonte: http://www.movimentodown.org.br/2018/05/tres-vivas-para-a-adocao/













sexta-feira, 17 de novembro de 2017

DEPOIMENTO: ‘A primeira coisa que vi foi o sorriso. Chorei na hora’

O professor de Português Thiago Zalinsq Almeida, de 36 anos, adotou os meninos Crystopher Sidwald e José Roberto

Thiago Zalinsq Almeida, professor de Português no Rio
16 Novembro 2017 | 04h00

Thiago e os filhos: 'Agora minha família está completa'  Foto: WILTON JUNIOR/ESTADAO

Tomei a decisão de adotar uma criança quando tive minha estabilidade financeira e emocional. Entrei com o processo para adotar e demorou dois anos para ser habilitado. Por ser solteiro, não optei por bebê. Optei por um menino de 3 a 10 anos de idade, de cor indiferente. Em um domingo à tarde, a doutora Gleide (da 1.ª Vara Especializada da Infância e Juventude de Cuiabá) me ligou e falou do meu filho (Crystopher Sidwald, na época com 11 anos, hoje com 12). Meu coração queimou. Falei: “É esse”.

Depois, ela me autorizou a vê-lo por foto no WhatsApp. A primeira coisa que eu vi (na foto) foi o sorriso. Chorei na hora. Depois fui para Cuiabá. Na primeira aproximação, a resposta dele foi muito fria, mas aos pouquinhos fui tentando conquistá-lo. Voltei ao Rio e fiquei conversando com o Sid pela internet, com autorização da juíza. No fim de dezembro (de 2016), voltei a Cuiabá, ele estava terminando o ano letivo. A juíza disse que o mandaria (para o Rio) sozinho no avião, mas não aceitei. Queria juntamente com ele cortar o cordão umbilical do abrigo porque ele foi deixado lá com 1 ano. Era o menino mais velho ali. Queria dizer que ele tinha uma família que o amava.

Também tive contato com o melhor amigo dele no abrigo. Um menino negro, carismático, de coração de ouro, o José Roberto (de 10 anos), que me falava o tempo todo: “Me leva também”. Não podia levar, mas prometi que o buscaria.

'Quando me dei conta de que era pai, o mundo se transformou'  Foto: WILTON JUNIOR/ESTADAO

Os dois primeiros meses com o Sid foram os mais difíceis da minha vida. Quando temos um filho, queremos ser amados por ele também. Mas a obrigação de amar não é da criança, é minha. Para quebrar o gelo, foi uma luta. As crianças ficam testando para ver até onde você vai. E eu falava: “Independentemente do que você faça, eu vou te amar”. A gente tinha de se construir como pai e filho. Até que um dia, quando vinha uma assistente social aqui em casa, eu falei: “Filho, estou muito nervoso”. E ele respondeu: “Eu também, pai”. E me abraçou. O primeiro abraço espontâneo foi lindo. (grifo nosso)

Mas meu coração ainda estava queimando pelo José. Então eu o trouxe em junho. Estou criando dois homens de caráter, que vão saber lidar em sociedade, sem preconceito. Quando me dei conta de que era pai, o mundo se transformou. É divino e indescritível. Minha família está completa.

Publicado no ESTADÃO, em 16 de novembro de 2017.

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

ESPERANDO POR VOCÊ É DESTAQUE NO PROFISSÃO REPÓRTER DESTA QUARTA




A equipe do programa esteve no Estado para saber como o projeto vem ajudando crianças e adolescentes acolhidos a encontrarem uma família.


A campanha Esperando Por Você, que incentiva a adoção tardia no Espírito Santo, será destaque nesta quarta-feira (13), no Profissão Repórter da Rede Globo, logo após o jogo de futebol. O programa vai mostrar histórias de jovens que estão há vários anos à espera da adoção no país.

Aqui no Estado, a equipe de reportagem acompanhou de perto o trabalho de psicólogos e assistentes sociais da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA) e de analistas de comunicação no desenvolvimento da campanha de adoção tardia. E também conversou com a juíza da 2ª Vara da Infância e da Juventude da Serra, Janete Pantaleão Alves, que explicou que o projeto pretende dar “voz e vez” àquelas crianças e adolescentes que ainda não encontraram uma família.

O intuito é mostrar os jovens como são, com seus gostos, qualidades, particularidades e sonhos, como toda criança tem. Desde que foi lançado, em maio deste ano, a campanha já contou com a participação de 24 crianças e adolescentes, através de fotos e vídeos. 16 deles tiveram propostas de adoção, 03 já estão em processo de adoção e 04 em processo de aproximação com pretendentes.

Da semana passada até hoje, 06 novos vídeos foram lançados no site oficial e no facebook do TJES. Ao todo, já foram mais de 50.000 visualizações no Youtube, mais de 380 e-mails e aproximadamente 225 ligações recebidas pela CEJA, de pretendentes à adoção de 20 estados do Brasil e também de brasileiros residentes na Espanha, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Noruega, Tailândia, Inglaterra e Singapura.

Para conhecer melhor a campanha acesse www.esperandoporvoce.com.br.

Vitória, 12 de setembro de 2017
Informações à imprensa:
Assessoria de Imprensa e Comunicação Social do TJES
Texto: Tais Valle | imprensa@tjes.jus.br

Andréa Resende
Assessora de Comunicação do TJES
imprensa@tjes.jus.br
www.tjes.jus.br

Vitória, 12 de setembro de 2017
Informações à imprensa:
Assessoria de Imprensa e Comunicação Social do TJES
Texto: Tais Valle | imprensa@tjes.jus.br

Andréa Resende
Assessora de Comunicação do TJES
imprensa@tjes.jus.br
www.tjes.jus.br

segunda-feira, 11 de setembro de 2017

CAMPANHA “ESPERANDO POR VOCÊ”, QUE INCENTIVA A ADOÇÃO TARDIA, JÁ ESTÁ COM NOVOS VÍDEOS NO AR

Adolescentes e grupos de irmãos ganham voz e espalham carisma pela internet na campanha de adoção tardia.



Novos vídeos da campanha "Esperando por Você" foram lançados nesta quarta-feira (06). O projeto, criado pelo Tribunal de Justiça do Espírito Santo, por meio da Comissão Estadual Judiciária de Adoção (CEJA), tem o intuito de apresentar crianças e adolescentes que estão disponíveis para adoção no Estado, de uma forma diferente, sensível e esperançosa. Os pequenos mostram um pouco da personalidade, brincam, falam sobre o que gostam de estudar e o que desejam para o futuro.

Os irmãos Bruno e Wanderson, de 16 e 15 anos, respectivamente, que já participavam da campanha com fotos, agora dão o tom e a cor através do vídeo. O primeiro quer ser professor de Educação Física. O segundo, Engenheiro Civil. E os dois têm o mesmo desejo: “Uma família com o afeto o respeito e a união, o que não pode faltar, que é o fundamental”, dispara o irmão mais velho. Assista ao vídeo em https://youtu.be/4eOXrm3nrdc

O Kaíque, de 12 anos, é outro que chega com um belo sorriso. Sonha em ser jogador de futebol ou bombeiro, já que gosta muito de ajudar pessoas e animais. No vídeo, o menino conta com seu jeitinho espontâneo que já salvou um gatinho, que estava preso na grade, das garras de um urubu. Sobre ter uma família, ele revela: “Amor. É isso. É a coisa mais importante. Dar carinho, essas coisas, sabe? Se alguém puder me adotar, Eu tô aqui de coração aberto". Confira: https://youtu.be/zV8m6slGLD8

Até o final de setembro, ao todo 09 vídeos devem ser lançados. O projeto "Esperando por Você" teve início em maio deste ano. De maio até agora já houve a participação de 21 crianças e adolescentes. 15 deles tiveram propostas de adoção, 03 já estão em processo de adoção e 04 em processo de aproximação com pretendentes.

No youtube, os vídeos já mais de 50.000 visualizações. Até o momento, a equipe da CEJA recebeu 375 e-mails e aproximadamente 225 ligações telefônicas de pessoas interessadas em adotar as crianças e adolescentes, de 20 estados do Brasil e também de brasileiros residentes na Espanha, Alemanha, Estados Unidos, Itália, Noruega, Tailândia, Inglaterra e Singapura.

Conheça a campanha! Acesse www.esperandoporvoce.com.br

Saiba mais

Todas as crianças e adolescentes que participam da campanha foram devidamente autorizados por juízes das comarcas, coordenadores das instituições de acolhimento, seus responsáveis legais. Os integrantes são aqueles que ainda não conseguiram uma família pelos cadastros estadual, nacional e internacional de adoção.

A campanha surgiu como tentativa de mudar o cenário de adoção no Espírito Santo. Isso porque, ainda hoje o número de pretendentes é seis vezes maior que o de crianças e adolescentes disponíveis. No entanto, 86% têm mais de 08 anos de idade, 49% fazem parte de grupos de irmãos e 23,5% possuem alguma condição especial de saúde. Ou sejam pertencem a um espectro ainda preterido pelos aspirantes a pais e mães.

Vitória, 06 de setembro de 2017

Informações à imprensa

Assessoria de Imprensa e Comunicação Social do TJES
Texto: Tais Valle | imprensa@tjes.jus.br

Andréa Resende
Assessora de Comunicação do TJES

imprensa@tjes.jus.br
www.tjes.jus.br

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Dia de Adoção



Encontro de pessoas dispostas a amar, a cuidar, a respeitar histórias e diferenças, a aceitar o desconhecido, a abraçar nas dores e nas alegrias cotidianas, a confiar umas nas outras, a experimentar novos papéis, a ter projetos em comum, a construírem uma família como outra qualquer - com suas dificuldades, suas superações e seus afetos.

Que esse dia nos lembre das crianças e adolescentes que crescem nas instituições de acolhimento por terem uma idade mais avançada (cerca de 80% delas tem mais de 10 anos), por pertencerem a grupos de irmãos (mais de 50% dos disponíveis para adoção), por apresentarem alguma condição especial de saúde (23,5%), dados do ES. Eles podem estar Esperando por Você!

Que esse dia nos lembre dos pretendentes à adoção e do seu desejo em tornarem-se pais.

Que esse dia nos lembre dos Grupos de Apoio à Adoção e dos militantes que são tão sensíveis a essa realidade.

Que esse dia nos lembre dos trabalhadores que lidam em suas diferentes atuações e âmbitos para tornar muitas adoções possíveis!

Por mais amor e mais famílias!

terça-feira, 14 de março de 2017

Com família não se brinca! Adoção é coisa séria!

Queridos amigos da adoção,

Circulam no YouTube alguns vídeos onde seus produtores fazem brincadeiras (trolagens) utilizando inconvenientemente o instituto da adoção. Surpreendentemente, os referidos youtubers fazem estas trolagens de mau gosto com seus próprios filhos, que entram em sofrimento ao descobrirem-se filhos adotados. Após a farsa desfeita, a brincadeira rende muitas gargalhadas e está sendo curtida por milhares de crianças e adolescentes e adultos desinformados.

A Adoção é um instituto importantíssimo para milhares de famílias brasileiras. Não deve ser motivo de brincadeiras e escárnio!

Infelizmente, ainda persiste na sociedade uma crença social de que a adoção é filiação de segunda categoria, motivo de vergonha e desqualificação.

Isto não é verdade!

O fato de homens e mulheres gerarem crianças não os torna pais de fato. Quem gera crianças é apenas genitor! Somente se tornarão pais ou mães aquelas pessoas que adotarem afetivamente a criança gerada. Portanto, todos os filhos, para se tornarem filhos, precisam ser adotados pelas pessoas que os geraram.

A adoção é a única forma possível de filiação, seja ela pela via genética ou jurídica.

Portanto, ser filho adotado é um privilégio e não uma vergonha ou desconforto.

Estes vídeos são altamente desrespeitosos! Instigam o preconceito social e a discriminação contra as famílias adotivas. Como são acessados predominantemente por crianças e adolescentes, ensinam valores inadequados e contribuem para o bullying escolar contra filhos adotivos.

São um completo desserviço para todos aqueles que lutam há muitos anos exaustivamente por uma nova cultura de adoção no Brasil e por uma sociedade mais justa para todos.

Atualmente, a legislação protege igualmente filhos adotivos e filhos genéticos. Ambos têm os mesmos direitos e devem merecer o mesmo respeito.

A ANGAAD – ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE GRUPOS DE APOIO À ADOÇÃO - entidade civil e filantrótipa fundada em 1999 para defender e garantir o direito à família para todas as crianças e adolescentes e os mais de 150 grupos de apoio à adoção brasileiros não podem permitir nenhuma agressão ou desqualificação ao instituto da adoção, às famílias adotivas e, principalmente, aos filhos adotados.

Pedimos a colaboração de todos para nos auxiliarem a coibir este tipo de vídeos e publicações inadequadas fazendo os devidos comentários esclarecedores, não curtindo e, sobretudo, denunciando aos órgãos competentes.

A ANGAAD repudia veementemente vídeos inconsequentes e postagens desabonadoras ao instituto da adoção.

A ANGAAD encaminhará as devidas medidas jurídicas contra todos aqueles que insistirem em vilipendiar a família adotiva brasileira com este tipo de publicações.

Suzana Sofia Moeller Schettini
Presidente da ANGAAD

quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Gostaria de conversar um pouco com meus amigos do face sobre adoção!

Com todo respeito, carinho e amor que cada um merece, mas há algumas coisas que preciso trazer à tona para que eu não seja mal interpretada ao tentar corrigir alguns "pré conceitos" históricos...

1- Nunca me deem parabéns pelo ATO de adotar, eu tive dois filhos, me parabenizem por isso, afinal minha família cresceu💗💙

2- Nunca digam que peguei pra criar! (A minha cachorrinha que considero uma filha, Bebel, eu peguei pra criar sim). Mas meus filhos são meus filhos, são herdeiros, minha vida. Pode não ter meu DNA, mas foi gerado em meu coração e minha alma por longos anos. Errou o ventre, é verdade! Mas acertou em cheio o coração 💖

3- Nunca me chamem de boazinha ou caridosa por ter adotado! Na verdade fui muito egoísta em querer dois filhos só pra mim, enquanto poderia ajudar tantos outros que estão sem família ou na categoria de "inadotáveis", mesmo sem trazer pra ser meu filho 😉

4- Nunca digam que ele e ela teve sorte em me encontrar, eles poderiam estar em outra família que o amaria tanto quanto a nossa, mas nós não teríamos a oportunidade de desfrutar de todo amor que eles trouxeram para o nosso lar 💝

5- Não digam que agora que eu adotei terei filhos "de verdade". Se eles não forem meus filhos de verdade, realmente não sei nada sobre "verdades".

6- Podem perguntar o que quiserem saber sobre o processo ou como se faz para adotar um filho, longe ou na frente deles, podem comentar como e quando quiserem. Aqui não há segredos (salvo o que diz respeito apenas à nossa família), mas meus filhos sempre saberão a verdade sobre os seus nascimentos para nós e o quanto isso nos faz felizes e o quanto é importante respeitar as maneiras diferentes que os filhos podem nascer.💓

7- Só pra constar ser mãe biológica ou adotiva é a MESMA coisa! Na maioria das vezes me pego tentando lembrar como foi o tempo de gestação ou amamentação de Carlos e Anna e só aí me dou conta de que esse tempo foi na alma, foi invisível, mas o fato de não vermos o vento não quer dizer que ele não exista... Muito pelo contrário, a sensação que uma brisa nos deixa é inexplicavelmente inesquecível, assim como a sensação de gerar no coração e amamentar na alma. 😍

Obrigada pelo carinho de todos que leram até aqui, sei que quando conhecemos os dois lados TUDO na vida fica mais fácil e leve. Amo muito todos vocês 💗💙

Dreide Lomeu, mãe

terça-feira, 27 de setembro de 2016

Quando achou que nunca seria adotado, João descobriu os pais dentro da escola



Argemiro, Giselle e a peça que faltava neles: João. (Foto: Wilson Mariz de Santana)
As fotos resumem a alegria de João, ao descobrir que não era velho para ser adotado. Com 12 anos, desde os 9 a casa dele foi o abrigo Vovó Miloca, até que em agosto deste ano a secretária da escola e o professor de informática deram a ele o significado de família.

Antes mesmo da guarda definitiva sair, os três se reuniram no Parque das Nações Indígenas para dizer ao mundo que João era a peça que lhes faltava. Único filho de Giselle e Argemiro, a adoção entrou na vida do casal depois de perderem o terceiro bebê, por conta de uma doença genética do pai. 

De início, a secretária admite que teve muita resistência, mas aceitou pelo marido. "Eu era totalmente contra, queria que fosse do meu ventre, eu tinha outra mentalidade", justifica Giselle Cavalcanti de Barros Quevedo, de 40 anos.

Entre março e abril, o Tribunal de Justiça abriu o curso para adoção e eles foram aprender como era o processo para se tornarem pais. "Foi o curso que mudou meu coração. A primeira coisa que a juíza falou foi: 'você não tem que estar aqui por causa do marido'. Eu tinha aquela mentalidade de que ele viria com a genética da família, mas o curso foi o que abriu meu coração totalmente", explica Giselle.

No penúltimo dia dos dois meses de palestras quinzenais, João se apresentou ao grupo de casais que desejavam adotar. As palavras ouvidas aquele dia não saíram da cabeça da mãe. "Meu nome é João, tenho 11 anos, vou fazer 12 semana que vem e eu vim aqui porque o meu sonho é ter uma família", repete a mãe.

Foi paixão à primeira vista. "Ele olhou pra mim, eu olhei pra ele. Ele veio até nós e era o destino de Deus. Ele estuda onde a gente trabalha e eu nunca tinha visto, meu marido quem reconheceu. São as coincidências", acredita Giselle.

Naquela noite ela dormiu pensando no menino e no dia seguinte, recebeu a visita dele na secretaria da escola. João bateu no vidro, disse 'oi tia' e perguntou se a intenção deles era de adotar e ter uma família. "Eu falei: não sei, talvez. Aí ele me disse: a gente podia ser uma família, não é? Eu falei para ele pedir para Deus, que se fosse da vontade dele...", conta. Ao marido, ela não só falou da conversa, como sugeriu que eles apadrinhassem João.



      À espera, casal fotografa o tênis do filho que chegou aos 12 anos. (Foto: Wilson Mariz de Santana)     João já veio com nome, que o casal escolheu amar. (Foto: Wilson Mariz de Santana)

No último dia de curso, o casal perguntou se poderiam se tornar padrinhos, mas ouviram que João tinha uma família interessada, no Rio Grande do Sul. "Quando ouvi aquilo, eu falei não, não, ele vai ser nosso e corremos atrás de toda documentação", recorda Giselle.

Todos os dias ela via o filho, mesmo que perante a Justiça, eles ainda não formassem uma família, o lanchinho para ele era levado diariamente e o coração batia forte esperando o horário de entrada de João. "Ele vinha e perguntava, e aí tia? Eu falei que tinha ido pedir para adotá-lo e aí foi indo a paixão, o amor. Até que uns dias depois ele perguntou se podia me chamar de mãe".

No dia 20 de julho, aniversário de Argemiro, o casal conseguiu autorização para levar João ao passeio e depois vieram as apresentações para a família e à avó que reconheceu de cara o menino como o neto dos seus sonhos e ao casal que fotografou o ensaio.

Até que às 2h30 da tarde do dia 10 de agosto, o telefone tocou. "Oi, você já quer vim buscar o João? Eu falei o que? Não acredito...", narra Giselle. Entre lágrimas ela foi até a juíza e depois ao abrigo pegar o filho. João estava com a mochilinha pronta para ir para a casa.

"Ele perguntava: mas é de verdade mesmo? Eu vou para dormir? A gente agora vai ser uma família feliz?" recorda o casal o diálogo lá no abrigo.

"Eu? Eu estou mais feliz, por causa que estou com uma família feliz e é bem legal estar com uma família, é o que eu sempre quis". João Vitor tem um sorriso lindo, uma alegria que contagia e um carinho na voz que dá vontade de abraçá-lo. Na entrevista, ele ainda tem receio, no período de adaptação, se percebe o medo que tem daquilo não ser para sempre.

"Você era a peça que faltava, a mamãe e o papai estão mais felizes depois que você chegou?", pergunta Giselle. De supetão, João responde "acho que sim". O casal frisa "muito mais feliz meu filho, você é a peça que faltava para a gente".

Desde o primeiro "mãe", a secretária conta que já ficou babando. Era o sonho de uma vida ser chamada assim. O pai se realizou na comemoração do segundo domingo de agosto. "Parece que aquele vazio do Dia dos Pais foi preenchido. E todo dia é uma novidade para mim e para ele. Tem dia que ele me conhece melhor, tem dia que eu o conheço melhor e a gente vai se completando", descreve Argemiro Leite de Quevedo Junior, de 42 anos.

No quarto novo, que é só dele, João fala que tem um novo nome: João Vitor Cavalcanti de Quevedo e responde, com toda alegria do mundo, sobre a descoberta de que não era velho para ter uma família. "Antes eu não achava que seria adotado. Achava que não ia conseguir, porque eu já era grande e ninguém ia me adotar. Com essa idade? Ninguém adota. O que eu senti? Felicidade no meu coração, não é? Eu fiquei muito alegre".

Sobre a adoção tardia e João não ter nascido dela, Giselle explica que o amor fez essa dúvida ficar no passado. "Adoção tardia? Por ele ser uma criança grande? Tudo o que eu vi no curso, apaga mesmo... Eu não vejo que o João não saiu de mim, não tem como, parece que ele sempre esteve aqui".

                    João não só descobriu que poderia ser adotado, como também ser muito amado pelos pais. (Foto: Wilson Mariz de Santana)

Fonte: Confira o texto na íntegra em Campo Grande News - Lado B.


terça-feira, 30 de agosto de 2016

Depois de passar por vários abrigos, rapaz de 26 anos é adotado por família em Florianópolis

O jovem Josué, de 26 anos, passou a vida inteira em abrigos. Ele conviveu com duas famílias interessadas em adotá-lo, mas o processo de adoção não foi pra frente por ele ter Síndrome de Down.

"Sentado no chão do quarto, Josué, 26 anos, monta um quebra-cabeça. A embalagem com o mosaico de um caminhão indica o brinquedo para crianças. Em pé e perto da porta, Maria de Lourdes Apolinário, a Lurdinha, 51 anos, desafia a lógica do senso comum." 

Maria de Lourdes Apolinário, a Lurdinha, conheceu Josué em setembro de 2012, durante um jantar organizado pela Cooperativa Social de Pais e Amigos Portadores de Deficiência (Coepad), em Florianópolis (SC).


“Naquela noite, se mostrando afetivo e educado, ele veio por três vezes até a nossa mesa nos cumprimentar”, lembra Maria de Lourdes.

Ela é divorciada e mãe de duas filhas biológicas, uma de 22 anos e outra de 25. Formada em Serviço Social pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), ela exerce o cargo de técnico judiciário no Tribunal de Justiça de Santa Catarina.


Lurdinha conta que sempre quis adotar. Mas só agora, perto de se aposentar, ela vai poder realizar esse sonho. Maria de Lourdes mantém um relacionamento de nove anos com José Antônio Zorteía, também divorciado e pai de um casal de filhos – a moça tem 22 e o rapaz 31 anos.

Ela se aproximou de Josué aos poucos e com autorização judicial. Tudo começou com visitas ao Centro Educacional. Os passeios e o convívio familiar vieram depois. A guarda provisória termina em novembro e, se tudo continuar saindo bem, a guarda definitiva será concedida. Josué passará a se chamar Josué Antonio (homenagem ao companheiro de Maria de Lourdes) Apolinario e terá duas irmãs, Érica e Natália.

Josué tem dificuldade para se comunicar por causa da falta de estímulos. Ele apresenta atraso no desenvolvimento da linguagem e alterações de órgãos fonoarticulatórios e funções neurovegetativas. Mas, desde que começou a ser acompanhado por uma fonoaudióloga, apresenta melhoras.

Após ser devolvido por duas famílias, hoje Josué vive com uma família que o recebeu de braços abertos, independente da sua condição. Ele vive em um aconchegante apartamento em Florianópolis e tem muitos motivos para continuar sorrindo.
Fotos: Charles Guerra / Agencia RBS


Notícia extraída do blog: Razões para acreditar!


segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Um pai realizado!

Por: Um pai realizado
Postado em: Adoção Brasil.

Em 2013, após 18 meses de espera no cadastro de adoção, fomos chamados para conhecer 2 irmãos : Um menino de 1 ano e uma menina de 2 anos e meio. Eles estavam em um abrigo distante 300 km de nossa cidade.

Desde o primeiro contato nos foi avisado que se tratavam de 2 crianças HIV(+). Apesar de constar em nosso perfil que aceitávamos crianças nesta condição, eu nunca havia pensado neste assunto até o dia da ligação.

Quinze dias depois do primeiro contato, o juiz nos deu a guarda e trouxemos nossos filhos para casa. O quadro das crianças era o seguinte : A minha filha morou por mais de um ano com a mãe biológica, neste período ela foi amamentada e não teve nenhum acompanhamento médico, ficou muito doente e não se desenvolvia, a justiça agiu e a mandou para o abrigo, onde ela iniciou o tratamento. O menino, assim que nasceu tomou o coquetel especifico para recém nascidos por quarenta dias, não foi amamentado, recebeu alta e foi encaminhado para o mesmo abrigo que a irmã já estava.

Quando os adotamos, iniciamos o acompanhamento médico no Posto de referência de nossa cidade. O meu filho não tomava remédio nenhum, ele precisava apenas acompanhar a carga viral que, se tudo corresse bem, iria reduzir sozinha até zerar e ele receber alta, o que de fato ocorreu quando ele já estava com 1 ano e sete meses, hoje ele apenas é acompanhado por um pediatra, como qualquer outra criança. A minha filha já tomava o coquetel, não havia mais chance de negativar o vírus.

Não posso dizer que é fácil! Mas também não é tão difícil quanto imaginam! Vamos ao médico quase todos os meses, ou para consultar com o infectologista, ou para coletar sangue para os exames de controle. Somos rigorosos em relação às consultas e as doses dos remédios (3 pela manhã e 3 antes de dormir), com isto ela consegue levar uma vida totalmente normal. Minha filha está com 5 anos e é uma criança muito inteligente, brincalhona, amorosa… não há nada nela que indique que ela tenha qualquer doença. A carga viral dela está indetectável, o que significa que os remédios estão funcionando muito bem.


SE PRECISASSE NÓS FARÍAMOS TUDO NOVAMENTE! NUNCA RECLAMO DA CONDIÇÃO DA MINHA FILHA! EU APENAS AGRADEÇO A DEUS A FAMÍLIA QUE ELE ME DEU! AGRADEÇO POR TER SIDO ESCOLHIDO PARA CUIDAR DE 02 CRIANÇAS TÃO ESPECIAIS!!!

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Um caso de adoção ilegal

Um caso polêmico ocorreu na Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, onde uma servidora da instituição facilitou o processo de uma adoção ilegal. Por meio das informações coletadas: 

“a criança saiu pela porta da frente da unidade, nos braços de uma mulher que não é funcionária pública, mas teve acesso facilitado ao berçário e ao leito onde a mãe biológica estava internada graças à ajuda criminosa de uma servidora."

A assessoria de imprensa da Sesacre justificou em sua nota oficial que o ato não foi realizado com a permissão ou a conivência da gestão do hospital e que, de acordo com os relatos obtidos, a mãe da criança, uma adolescente de 17 anos, expressou a vontade de “doar” o filho por questões de foro íntimo e consentiu ainda com a emissão da Declaração de Nascido (DN) em nome da suposta adotante, o que viola o direito da criança do conhecimento de sua origem biológica e genética. 

Este processo ocorreu a partir do intermédio de uma funcionária do Sistema de Atendimento da Saúde e da Mulher e da Criança (SASMC), que alegou boa-fé,  conforme suas próprias palavras: “Só queria ajudar ambas as partes, reconheço o erro, mas foi um ato de sensibilidade e amor.”

Embora em caráter de boa-fé, destaca-se o fato de que o processo se deu de maneira equivocada e ilegal perante os trâmites jurídicos, ferindo gravemente a proteção integral, bem como os direitos da criança e dos adolescentes assegurados pela Lei Nº 8.069 de 13 de julho de 1990 que dispõe o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Cabe destacar que, profissionais de saúde ou quaisquer outros envolvidos em programas destinados à garantia à convivência familiar e comunitária, devem efetuar imediato encaminhamento à autoridade judiciária caso tenham conhecimento de gestantes ou mães que manifestem intenção de entregar seu filho para adoção, sob responsabilidade de cometerem infração administrativa (Art. 258-B, incluído pela Lei Nº 12.010, de 2009).

Nos casos da explícita manifestação do desejo pela entrega voluntária por parte das gestantes ou mães, como prevista pelo Parágrafo único do Art.13 do ECA, “estas devem ser obrigatoriamente encaminhadas à Justiça da Infância e da Juventude”, para receber orientações legais e atendimento psicossocial que ofereçam à mulher as condições necessárias para subsidiar sua decisão. A partir disso, conforme preceitua o Art.166. §3º do mesmo diploma, “o consentimento dos titulares do pátrio familiar será colhido pela autoridade judiciária competente em audiência, presente o Ministério Público, garantida a livre manifestação de vontade e esgotados os esforços para manutenção da criança ou do adolescente na família natural ou extensa” (Incluído pela Lei Nº 12.010, de 2009).

O minucioso cuidado em seguir os preceitos legais se faz necessário visto que, visando atender prioritariamente aos interesses da criança e do adolescente, é necessário primeiramente verificar as possibilidades de permanência na família natural ou extensa, para só então promover medidas de integração em famílias substitutas.

 Art.39.§1º   “a adoção é medida excepcional e irrevogável, à qual se deve recorrer apenas quando esgotados os recursos de manutenção da criança ou adolescente na família natural ou extensa, [...].” (Incluído pela Lei Nº 12.010, de 2009)



Torna-se importante salientar que o primeiro passo para aqueles que apresentam o desejo pela adoção, é procurar a comarca de sua residência para obter maiores informações, bem como, se for o caso, apresentar uma petição e os documentos que constam nas especificações listadas no Art. 197-A do ECA. As pessoas que pretendem adotar passam por um processo de habilitação no qual são orientados quanto aos aspectos legais e psicossociais da adoção e são avaliados quanto às condições que podem oferecer a crianças e adolescentes como pais.

Destaca-se ainda que o Poder Judiciário mantém um registro de crianças e adolescentes em condições de serem adotados e outro de pessoas habilitadas  para adoção. Assim sendo, a partir da data da sentença da habilitação, os pretendentes habilitados serão automaticamente inseridos neste registro, sendo convocados de acordo com o surgimento de perfis compatíveis. No Espírito Santo, os pretendentes habilitados estão inseridos no Sistema de Informação e Gerência do Acolhimento e da Adoção (SIGA/ES) e no Cadastro Nacional de Adoção (CNA/CNJ).

Por fim, é essencial elucidar que qualquer processo de apropriação de crianças e/ou adolescentes, seja em caráter de “boa fé” ou não, pode constituir crime. Compreende-se como um processo de adoção legal, somente aqueles que se estabelecem por meio de uma sentença judicial.


“Art.70. É Dever de todos prevenir a ocorrência de ameaça ou violação dos direitos da criança e do adolescente”.



Texto: Lorena Suave Santos
Supervisão: Diane Françoise e Isabely Mota

Veja a notícia completa clicando aqui!

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Fui adotada aos 7 anos

           capa adocao

25.05.2016 - Quando nasci, com poucos meses de vida, fui enviada para um orfanato juntamente com uma irmã, que na época tinha quase dez anos. No orfanato, que se chamava Casa da Vó, em Rio Claro, interior de SP, morei até quase 8.

Fui adotada aos 7 anos.

Meus pais adotivos tiveram duas gestações interrompidas, e resolveram não arriscar mais. Foi então que decidiram fazer uma visita na Casa da Vó.

Logo que eles chegaram, contam que me acharam uma “gracinha”:

- Que menininho mais lindo, como se chama? – Perguntou minha mãe.

- É uma menina, tem cabelinho curto por causa de piolho. – Respondeu a inspetora do orfanato.

E assim foram acontecendo nossos encontros. Eles iam com frequência me visitar no orfanato e fomos criando intimidade.

Vivemos assim por alguns meses. Antonio, meu pai, e Laura, minha mãe, me buscavam na sexta após o colégio e me levavam de volta para o orfanato no domingo a noite.

Lembro como se fosse hoje: Quando começava a vinheta dos trapalhões (programa que passava na televisão aos domingos) era uma choradeira, eu querendo ficar e meus pais não querendo me levar.

Até que no dia 29 de maio de 1989, o juiz ligou para meu pai:

- Pronto Sr. Antonio, você já pode se considerar pai da Marcela, ela é sua!

E claro que na mesma hora, eles foram ao meu encontro.

Fui com eles para casa, mas com a consciência de que, após os trapalhões, teria que deixá-los. Eles não me contaram sobre a formalização da adoção e deixaram chegar o domingo, quando minhas lágrimas começassem a rolar, para contar a surpresa!

- Você não vai mais embora filha, você é nossa!

A emoção tomou conta de mim e nosso sonho virou realidade. Eu nasci para aquela família: com 7 anos, carinha de menino, “magrelinha” e com muito amor para dar e receber.

           adotada aos 7 anos (1)

Hoje estou com 34 anos, casada e com dois bebês, Antônio, de 3 anos e Bento, de 1. Moro no Rio de Janeiro,  meu pai continua morando em Rio Claro, e sempre que posso vou visitá-los. Minha mãezinha faleceu há 2 anos, mas com certeza ainda vive no meu coração.

Minha irmã, que citei no início, foi adotada na época em que eu ainda estava no orfanato por outra família. Depois de muito tempo vim saber que quem a adotou foi a antiga diretora do orfanato. Muitos anos se passaram, e graças a internet, nos reencontramos e, hoje, nos falamos com frequência.

Essa é a minha história de adoção, a qual sou muito grata pelo amor que recebi de meus pais.

Texto e imagens no site "MÃES AMIGAS".


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Rotina na maternidade mostra que entregar para adoção é diferente de abandonar

           Garantido por lei, abrir mão do filho também é direito da mãe que não quer ou não pode cumprir seu papel. (Foto: Fernando Antunes)

Às vezes elas pedem para não ver o bebê. Não querem dar um rosto à culpa que podem vir a carregar no futuro. Nos últimos três anos, 66 mães decidiram abandonar seus filhos ainda na maternidade. Metade delas seguiu com o processo que começou ainda na gestação: de entregar o bebê para adoção. Garantido por lei, abrir mão do filho também é direito da mãe que não quer ou não pode cumprir seu papel. 

O Lado B foi ouvir histórias de quem convive de perto com a ideia que soa tão absurda e condenável, a de abandonar um filho, mas que podem ensinar muito sobre amor e quebram o mito de que maternidade é para todas as mulheres. 

Assistente social judiciária, Rita Diniz Santos, de 55 anos, têm cinco no núcleo de adoção do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul e sete meses à frente da coordenação que também abraça o projeto "Dar a luz", criado em 2011 para atender a exigência da legislação que prevê que gestantes e mães que manifestem interesse em entregar seu filho para adoção são obrigatoriamente encaminhadas à Vara da Infância e Juventude.

Na prática, Rita vê chegar gestantes que foram encaminhadas de postos de saúde, maternidade ou hospitais, ou que procuraram na internet sobre o projeto. "Quando ligam já falam: 'quero dar meu filho para adoção'", conta Rita. 

Num primeiro momento, a assistente social relata que são mulheres desesperadas e com culpa nos olhos. De perfil, são gestantes das classes baixa à mais alta e as justificativas vão desde falta de condições socioeconômicas até "projeto de vida". "Quando a criança não encaixa no projeto de vida da mãe. A gente fica meio assim, mas é uma categoria que está surgindo", explica.

Ao escolher seguir carreira no judiciário, a assistente social conta que sabia o que veria pela frente. E uma das primeiras entrevistas, ainda em Dourados, anos atrás, abriu caminho para a compreensão que hoje ela diz ter. No fundo, o que as mães procuram é uma "solução".

"Era uma profissional do sexo e eu perguntei: 'mas porque você está aqui? E ela me levou para ver o pai, com câncer terminal, por isso ela estava ali, porque ganhava mais que um salário mínimo para bancar toda medicação. Ela explicou e eu não pude falar mais nada. Foi bom, porque eu passei a entender cada uma", lembra.

Como assistente social, essas histórias ensinaram Rita a não discriminar ninguém. Nem uma mãe que entrega um filho. "Minha única angústia é quando elas falam: 'quero me ver livre disso aqui', mas foram coisas que eu fui aprendendo com cada gestante, cada ser humano. As mães também estão abandonadas e ela entregar um filho é proteger. Tanto é que o processo entra como 'medida de proteção'", explica Rita. "E a gente precisa respeitar a decisão dela", completa. No fim, o sentimento é um só: o de estar salvando vidas. "Porque a partir do momento que ela veio e nos procurou é porque ela não partiu para fazer um aborto. Isso para mim é salvar vidas".

Estagiária em Serviço Social no núcleo, Talitha Carvalho Araújo, tem 32 anos, quatro filhos e estuda para a conclusão de curso, o projeto. "Não é um crime, elas estão sendo culpadas é pela cultura que a gente tem de que a mulher engravidou e tem de ser mãe e não é bem assim. A Psicologia explica que tem mulher que não tem a maternagem", compara. 

No dia a dia, a estudante diz que a primeira coisa a ser rompida foi o julgamento e ter em mente, bem claro, que o papel dela é de garantir os direitos das pessoas. "E é um direito da criança estar em um ambiente familiar dentro de todas as garantias de educação, família, escola, o que essa mulher não vai poder proporcionar", argumenta. 

Mais que ser realista em admitir o que não pode dar, Talitha vê essas gestantes praticando um gesto de amor. "É amor, também da parte dela, em entregar para alguém o que ela não quer ou às vezes não pode fazer. E o que a gente aprende é que tem que ter uma força muito grande para isso", resume. 

Do outro lado da ponta, está quem faz este atendimento quando a mulher entra para banhar bebê. Jackeline Medeiros Pereira tem 34 anos, é psicóloga na Maternidade Cândido Mariano, e entende que entregar para adoção é bem diferente de abandonar. "É uma decisão difícil, mas a gente sabe que é consciente. Quando a mãe decide entregar, ela está dando a essa criança a chance de ter aquilo que ela não pode prover". 

É com ela que o contato chega ao "clímax", quando a mulher ouve o choro do bebê e ainda assim, quer distância. "A maioria prefere não olhar, porque basta olhar para começar um vínculo e as que escolhem ver, é como se fosse uma despedida, porque depois não veem mais", explica. 

A maioria dos casos que ela atende são de mães que não podem prover materialmente ou emocionalmente. Quando a mãe não pode, se entende, quando ela não quer, se respeita. "A gente entende e respeita a decisão delas", diz Jackeline. Mas a aceitação é um processo e bem complicado.

"Me lembro da primeira mãe que eu atendi - trabalhar no projeto foi um amadurecimento - essa coisa de que mãe não pode abandonar bebê está entranhado em qualquer pessoa", pontua a psicóloga. 

A jovem tinha 25 anos e uma filha de 4. "Quando eu fui conversar, perguntei o que ela sentia pelo bebê e ela disse: 'eu não sinto nada', Nossa, na época a minha filha tinha 1 ano e pouquinho e aquilo foi uma facada. É difícil compreender as razões da mãe, porque quando você gera, imagina uma história de vida dessa criança dentro da sua vida e de repente você se depara com uma mãe que não quer essa criança na vida dela?" se pergunta. 

Foi aí que ela aprendeu, na prática, que o amor incondicional de uma mãe é um mito e que não vale para todas as mulheres. "Cada mãe que veio chegando, eu fui conhecendo as histórias e entendendo o processo. Todo mundo tem seu lado religioso, espiritual e eu tenho certeza de que Deus prepara essas mães para gerar um filho para outras mães. Não tem outra explicação", acredita. 

              Jackeline num momento de afeto. Psicóloga da maternidade, ela sempre dá colo aos pequenos que vão para adoção. (Foto: Fernando Antunes)

Um ano atrás, uma mãe deu a luz e não quis ver o rosto do bebê. A criança chorava tanto e depois de horas, ela decidiu pegá-lo no colo. "Ela pôs ele de frente assim e conversou. Foi uma coisa que fica na cabeça da gente, porque foi como se ela dissesse que estava fazendo aquilo porque era o melhor que poderia dar naquele momento e que era por amor. Ele não chorou mais. Ali foi como se fosse o consentimento dessa separação", se emociona Jackeline. 

A mãe que deixa o filho para trás vivencia o luto por alguém que continua vivo, mas não com ela. As crianças que são entregues para adoção assim, têm direito de ir atrás da mãe quando completar 18 anos. Antes disso, o processo é segredo de justiça. 

"E vou te dizer, que muitas dessas mães estão vivendo à espera desse reencontro. Têm crianças hoje com 4, 5 anos, então faltam aí 13, mas é uma incerteza. O que eu sinto é que algumas mulheres são muito fortes a ponto de abrir mão de algo importante que é seu filho e por amor e eu tenho um respeito enorme pelas que decidem fazer isso". 

Reportagem encontrada no site Campo Grande News - Lado B.

Casal gay faz adoção tardia de irmãos e alfabetiza criança de 9 anos em 2 meses

             Alejandro e Victor Hugo em primeiro plano, e os pais no reflexo do espelho

Os garotos viviam no Lar da Criança, em Cuiabá, até o casal aparecer com a casa e o coração abertos para a adoção. Casados há quase oito anos, Paulo e Admilson decidiram que queriam adotar filhos para que a família ficasse completa. 

Nova vida

A vida em família começou com uma festa de chegada, em 14 de agosto de 2015. Depois disso, a rotina se tornou ‘normal’ como a de qualquer ‘família tradicional brasileira’, com a diferença única de que as crianças precisavam se adaptar. Victor Hugo, por exemplo, já estava no terceiro ano da escola quando foi adotado, mas ainda era analfabeto. 

“Nós fizemos uma força tarefa, conversamos com os professores, ficamos em cima, colocamos em aula particular. Em dois meses ele estava lendo. Acho legal frisar isso porque muita gente pergunta, o que um casal gay vai ensinar para uma criança? Isso: vai ensinar o que eles não aprenderam em três anos”, desabafou Paulo. Segundo os pais, o amor, carinho e principalmente a preocupação que uma família oferece às crianças influencia no aprendizado. “Quando eles vivem no abrigo, até os professores da escola pensam ‘ah, é criança do abrigo, não vai virar ninguém mesmo’, e não dão atenção”, afirmou. 

“O Alejandro deu uma entrevista uma vez dizendo que tinha medo de viver na rua. É isso que oferecemos para eles: segurança. Um lugar onde eles possam crescer bem, felizes e seguros”, afirmou Admilson. Por incrível que pareça, nem mesmo as possíveis adversidades que os pais acreditavam que viriam dos colegas de escola aconteceram. “O Victor tinha outros dois colegas, um tinha dois pais e o outro tinha duas mães. Eles nunca sofreram preconceito por isso”.

“Eu mesmo disse pra minha professora que meu pai era gay, e pedi pra ela falar pra sala. Depois, ninguém fez piada nem nada. Eles só ficaram fazendo um monte de perguntas”, explicou o garoto. 

Olhar o sorriso no rosto dos meninos já seria o suficiente para entender que a situação é favorável. Alejandro, hoje, sonha em ser médico. Victor prefere o caminho do sertanejo ou, quem sabe, ser jogador de futebol. Os devaneios infantis podem, por fim, ter uma ponta de realidade. Para quem estava fadado a virar estatística, um bolo de fubá e uma xícara de café à mesa, no meio da tarde e no seio da família, já é um grande evento. 

           

Confira toda a entrevista em Olhar Direto/Conceito.


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Desinformação impede que homens solteiros adotem crianças, dizem juízes

               Célio Wanderson de Araújo, pai adotivo solteiro dos irmãos Carlos e Anderson

Célio Wanderson de Araújo é assistente social no Distrito Federal (DF), solteiro, e desde 2013 é pai de dois irmãos: um menino de 9 e outro de 11 anos. Peterson Rodrigues dos Santos, vendedor em Porto Alegre (RS), solteiro, se tornou pai de um menino de 9 anos em 2015. José Ubiratan Vieira Cavalcanti, técnico em enfermagem em Recife (PE) se tornou pai de um menino de sete anos com paralisia cerebral em 2009. Esses são apenas alguns dos casos de adoção bem-sucedida feita por “pais solteiros” em todo o país. Todos foram unânimes em afirmar que o amor incondicional foi o que os motivou a encarar o desafio de criar uma criança adotiva sozinhos.

Atualmente, dos mais de 37 mil pretendentes inscritos no Cadastro Nacional de Adoção, gerido pela Corregedoria Nacional de Justiça, órgão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), 5.019 são pessoas solteiras. Em média, elas representam cerca de 15% do total de crianças adotadas em todo o país. Não existem dados específicos sobre adoção de crianças por homens solteiros. No entanto, magistrados da Vara da Infância consultados pelo CNJ confirmam que o número ainda é muito pequeno e aquém do que poderia ser.

“Culturalmente o homem ainda não se descobriu como capaz de formar uma família sem a necessidade de uma mulher”, afirmou o juiz Élio Braz, titular da 2ª Vara da Infância e Juventude de Recife. “Eles tendem a achar que não ‘levam jeito’. Só que para adotar uma criança não precisa ter ‘jeito’, mas ter amor”, completou.

Confira as informações na íntegra no site do CNJ.

FELIZ DIA DOS PAIS...

Pai é o que se torna referência na criação.


Para muitos homens, a paternidade veio com a adoção de crianças. Neste ato, surgem os laços de amor que superam a barreira do sangue.

G1 - TV Sergipe

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

Restrições feitas por famílias dificultam adoção

Segundo MP, maioria prefere criança recém-nascida, branca e saudável.
Atualmente, são 500 crianças precisando de lar para 3 mil candidatos.

Generosidade

Gustavo aguardou 15 anos para ter uma família, pois estava na fila de adoção com dois irmãos. “Eu pedi para falar com a juíza e abri mão de nós três irmos juntos, para facilitar a adoção deles e para que eles não sofressem o que sofri lá dentro”, contou.

Os dois irmãos menores encontraram um lar, mas Gustavo, acabou ficando para trás, até que a família de um dos irmãos descobriu o que ele havia feito.

Família Santos adotou dois irmãos (Foto: Reprodução RBS TV)

“Quando soubemos da história, que o Gustavo abriu mão da adoção dele pelos dois irmãos, não não havia como perdê-lo”, disse Reginaldo dos Santos, pai dos meninos.

“O meu grande sonho era ser chamado de pai e foi a grande alegria da minha vida, o dia em que o Guilherme e o Gustavo me chamaram assim”, emociona-se.

Em Santa Catarina, atualmente, são 539 crianças e adolescentes na fila de espera, de acordo com o MP. Enquanto isso, 3,2 mil candidatos querem adotar um filho, o que chega a quase seis famílias para cada criança.

Restrições das famílias

Conforme o MP, menos de 40% dos candidatos aceitam crianças negras e menos de 1% está disposto a adotar um filho com algum tipo de deficiência mental.

“Isso é um problema seríssimo, porque muitas crianças ou adolescentes acabam ficando em instituições até os 18 anos de idade”, disse o promotor Marcelo Wegner.

Amor à primeira vista

Maria de Lourdes Apolinário estava planejando adotar uma criança, até que conheceu Josué. Portador de Síndrome e Down, ele morou a vida toda em uma casa-abrigo. Quando Josué e Lourdinha se conheceram em um jantar beneficente, ela não teve dúvidas.

Josué foi adotado por Maria de Lourdes (Foto: Reprodução RBS TV)

“Era um desejo assim como outras mães também têm desejo de ter mais filhos. Acho que isso é independente de qualquer idade”, relatou.

“A gente fala que a gente quer encontrar famílias para as crianças, e não crianças para as famílias. Que essas crianças tenham um lar, que essas famílias também tenham seus filhos e todos  possam ser felizes juntos”, espera a psicóloga da Vara da Infância Helena Eidt.

Josué tem dificuldades para falar, mas uma palavra ele aprendeu logo de cara: “A mãe!”, exclama o menino.

Confira a entrevista na íntegra no site do G1.

quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Projeto do TJPE permite encontro por videoconferência antes da adoção

Uma ação desenvolvida pelo Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) está usando a tecnologia para auxiliar quem quer adotar crianças e adolescentes. Por meio de vídeoconferências, o projeto Conhecer Virtual permite que os futuros pais adotivos possam ter um contato inicial com os jovens e crianças que estão nos abrigos que ficam em outra cidade.

Para a juíza da infância Hélia Viegas, o projeto facilita bastante a formação do vínculo afetivo entre os futuros pais e filhos. “O encontro de quem vive numa localidade diversa implica custo, disponibilidade de tempo. Por isso, antes do programa, o primeiro encontro só acontecia após a adoção”, comenta.

O programa foi implantado em 2015 e já possibilitou seis encontros, de seis processos de adoção diferentes, inclusive internacionais. “Temos o caso de três casais italianos que adotaram um grupo de cinco irmãos. Então veja a facilidade, a prática positiva desse programa”, pontua ainda Hélia Viegas. Qualquer pessoa que seja candidato a adotar -- e esteja inscrita no Cadastro Nacional de Adoção -- pode utilizar o sistema de vídeo conferência.

A iniciativa permite ainda que os futuros pais adotivos possam esclarecer os procedimentos referentes à adoção, além de receberem informações relevantes sobre as crianças e orientação nos primeiros dias de convivência familiar. O TJPE garante que a tecnologia utilizada para transmitir os encontros por videoconferência asseguram sigilo de dados.

Confira a reportagem na íntegra no site do G1.


quinta-feira, 9 de junho de 2016

O filme sobre adoção que está impressionando o mundo

Ganhador de inúmeros prêmios, este curta fala da impressionante história de uma garota em sua viagem pelo sistema de adoção e foi realizado para trazer mais conscientização sobre o tema.




O vídeo original se chama ReMoved (ReMovida) e foi produzido por Christina e Nathanael Matanick. Para mais informações visite: www.removedfilm.com.

Fonte:
Em 07 de junho, no site da Adoção Brasil.